Ford Transit: uma lenda entre os veículos comerciais completa 60 anos
Popular na Europa, modelo para o trabalho demorou décadas para chegar ao Brasil
A Ford está celebrando, em 2025, o 60º aniversário do Ford Transit. Você não tinha ideia de que esse veículo comercial era tão antigo? Pois é: o modelo demorou um bocado para chegar ao Brasil, país dominado pelas Kombis. Na Europa, contudo, o Transit é um clássico que já está oficialmente em sua quarta geração, com inúmeros facelifts e atualizações em cada uma — daí a fabricante preferir ordená-los por datas, em vez de gerações.
Mas, antes de contar a história do modelo, voltemos ainda mais no tempo… Na década de 1950, a Ford lançou duas linhas independentes de furgões e vans para o mercado europeu: o britânico Thames 400E (a partir de 1957) e o alemão FK1000 (desde 1953).
Galeria: 60 anos de Ford Transit (1965-2025)
Essa sigla FK vinha de Ford Köln (Köln, no caso, é a cidade de Colônia). Era essa fábrica que também produzia os carros de passeio Taunus. Pois bem: em 1961, a Ford alemã decidiu parar de usar o nome FK em seus veículos comerciais — daí que o antigo furgãozinho FK1000, bem como seu irmão maior FK1250, foram rebatizados de… Taunus Transit.
E havia uma situação indesejável: em alguns países, como França, Espanha, Itália e Suíça, os furgões Ford britânicos e alemães acabavam concorrendo entre si. A matriz em Detroit decidiu, então, que seria criado um modelo comercial totalmente novo, padronizado para todo o mercado europeu — e seu nome seria Transit.
Esse modelo padrão é hoje considerado pela Ford como a primeira geração do Transit. A produção começou em 9 de agosto de 1965, na linha de montagem de Langley, no Reino Unido. Para quem curte aviação, vale dizer que dessa mesma fábrica saíam os caças Hawker Hurricane durante a Segunda Guerra.
60 anos de Ford Transit (1965-2025)
1965–1969: lançamento e primeiros avanços
Com a crescente demanda por maior capacidade de carga, mais velocidade e versatilidade, surgiu a ideia do Transit, um utilitário europeu unificado, produzido no Reino Unido, Bélgica, Holanda e Turquia. Com o tempo, o modelo foi ainda mais longe, sendo fabricado também na Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.
O primeiro modelo trouxe características avançadas para a época: circuitos impressos no painel de instrumentos, suportes para cintos de segurança, bloqueio de direção opcional e porta lateral deslizante. O Transit foi oferecido em dois entre-eixos e alcançava, dependendo da versão, capacidade de carga de até 1.782 kg. Havia furgões curtos e longos, picapes cabine simples ou dupla, vans, entre outros.
O esquema mecânico era clássico, com motor dianteiro e tração traseira, aproveitando muitos componentes de carros de passeio da Ford. Inicialmente, o Transit era equipado com motores V4 a gasolina de 74 ou 86 cv, além de um Perkins a diesel de modestos 44 cv. A partir de 1968, a Ford passou a produzir seus próprios motores a diesel na fábrica de Dagenham.
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Anos 1970: aperfeiçoamento técnico e mais variantes
Em 1971, o Transit recebeu um design frontal mais moderno: a grade, inicialmente quase quadrada, foi espichada para baixo dos faróis.
Em 1972, a Ford lançou o diesel York, com 55 ou 62 cv. Em 1973, o Transit passou a utilizar pneus radiais de série. Em 1975, o modelo foi extensamente revisado, com interior mais ergonômico. Nesse período, a Ford introduziu freios a disco — primeiro nos modelos de entre-eixos curtos e, a partir de 1976, também nos longos. Curiosamente, nos anos 1970 o Transit tornou-se popular na Inglaterra como veículo de fuga de assaltantes de banco.
1976: marco e nova classe de peso
Com o Transit versão 190, o peso bruto total subiu para 3,5 toneladas. Freios a disco ventilados passaram a equipar o eixo dianteiro. No mesmo ano, a linha ultrapassou a marca de um milhão de unidades produzidas.
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1978: plástica e avanços técnicos
Em 1978, o Transit passou por uma reformulação profunda. A frente tornou-se mais “aerodinâmica”, digamos assim, e o capô mais longo. A dianteira moderna para os padrões da época, com faróis retangulares nas extremidades da grade de plástico preto, mudou bastante a aparência do veículo — mas ainda não se tratava de uma nova geração, e sim de uma 1ª geração fase 2.
Novos motores OHC e uma transmissão automática foram introduzidos, assim como um novo sistema de aquecimento e ventilação. A oferta mecânica era bem variada: versões a gasolina iam de 1,6 litro a um V6 de 3 litros. Na Austrália havia ainda um seis-em-linha de 4,1 litros, do Falcon.
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Anos 1980: injeção direta e segunda geração
Em 1983, começaram os testes com um novo diesel 2,5 litros de injeção direta, que se tornou de série em 1984. O motor de 68 cv reduziu o consumo em até 24%. Em 1985, a segunda milionésima unidade saiu da linha.
Em 1986, estreou uma segunda geração de fato, com novo chassi que melhorou segurança, acessibilidade e volume de carga, além de carroceria aerodinamicamente otimizada.
1991: reformulação do chassi e chegada do turbodiesel
Em 1991, a Ford revisou o chassi. O Transit passou a atender aos requisitos de crash-test. Novas variantes, como o Transit 150 com 1,5 tonelada de carga útil, completaram a gama. A versão longa recebeu pneus simples e suspensão dianteira independente.
Com o novo turbodiesel 2,5 litros de 100 cv e gestão eletrônica, iniciou-se uma nova era de motores. Também foi oferecida uma versão diesel aspirada de 80 cv.
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1994 a 2000: modernização e novas variantes
Em 1994, o Transit ganhou novo design, com grade ovalizada. Conforto e segurança aumentaram, com alarme, bloqueio de ignição e cintos de três pontos em todos os assentos. A partir de 1996, a versão para 17 passageiros passou a contar com airbags e ABS.
O Transit também começou a ser fabricado no Vietnã e na China. Em 1998, chegaram a distribuição eletrônica de frenagem, o controle de tração e versões a GPL (gás natural).
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2000 a 2010: salto tecnológico na terceira geração
Em 2000, surgiu a terceira geração, agora com opções de tração dianteira ou traseira sobre um mesmo chassi. O Transit foi eleito “Van of the Year 2001”. O Transit Connect chegou em 2002, sendo premiado também em 2003. A produção mudou em 2004 para Kocaeli, na Turquia.
Em 2006, o modelo passou por um grande facelift. Além disso, ganhou ESP e mais opções de motorização. Em 2007, estreou a tração integral; em 2009, o ECOnetic, otimizado para consumo, com filtro de partículas. Com modificações estéticas, essa geração é produzida até hoje na China, pela Jiangling Motors Corporation, com o nome de JMC Fushun.
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2011 a 2020: quarta geração estreia nos EUA
A quarta geração do Transit fez sua pré-estreia em janeiro de 2013, no Salão de Detroit. Esse foi o primeiro Transit a ser vendido também nos Estados Unidos.
Em 2015, a Ford retomou a liderança do mercado europeu de utilitários. Em 2016, chegou o diesel EcoBlue 2.0, e em 2017 iniciaram-se os testes do Transit Custom PHEV.
60 anos de Ford Transit (1965-2025)
2020 a 2025: eletrificação, digitalização e perspectivas
Em 2020, estreou o E-Transit totalmente elétrico, com até 68 kWh de bateria. Os primeiros testes de campo começaram em 2021. Com o FordLive, foi introduzido um sistema digital para otimizar a disponibilidade da frota.
Em 2022, iniciou-se a produção do E-Transit em Kocaeli, seguida pelo E-Transit Custom e Courier. Em 2023, o novo Transit Custom chegou com 5G, grande tela sensível ao toque e sistemas de assistência ampliados.
Em 2024, o Transit Connect ganhou versão híbrida plug-in. A autonomia do E-Transit subiu para 402 km com nova bateria. Todos os modelos receberam classificação Platinum no Euro NCAP.
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60 anos de Ford Transit (1965-2025)
Os Transits mais brabos
Na segunda-feira de Páscoa de 1971, o primeiro Transit Supervan entrou na pista de Brands Hatch. Baseado tecnicamente no Ford GT40, atingiu 240 km/h graças a um motor V8 302 (5 litros).
Quatorze anos depois, em 1985, surgiu o Supervan II, baseado no carro de corrida Le Mans Ford C100, com motor V8 Cosworth DFY. Na pista de Silverstone, alcançou 280 km/h.
Em 1995, foi lançado o terceiro capítulo: sob a carroceria Aero, trabalhava o Ford Zetec R, com o qual Michael Schumacher conquistara o título mundial de Fórmula 1 no ano anterior. O V8 3,5 litros desenvolvia 650 cv. Hoje, esse veículo integra a Ford Heritage Collection, equipado com motor Cosworth 2,9 litros 24V.
Em 2005, a piloto Sabine Schmitz chamou atenção no programa da BBC Top Gear, completando uma volta em Nürburgring-Nordschleife em pouco mais de dez minutos ao volante de um Ford Transit.
Em 2023, o SuperVan 4.2, inspirado no E-Transit Custom, participou do Pikes Peak International Hillclimb, no Colorado. Três motores elétricos geraram 1.400 cv de potência total, e a aerodinâmica criou 2.000 kg de downforce a 240 km/h.
E no Brasil?
No início da década de 1970, houve estudos para se produzir o Transit no Brasil, mas a ideia foi abortada — talvez por terem percebido que seria muito difícil fazer frente à Kombi por aqui (na época, o modelo da Ford era bem menor que a geração atual).
Somente em 2008 o modelo chegou ao nosso mercado, importado da Turquia. Disponível em versões de passageiros e furgão, foi comercializado até 2014. Durante esse período, enfrentou desafios relacionados à flutuação cambial e à tributação elevada, o que dificultou sua continuidade no mercado brasileiro.
Em 2021, a Ford anunciou o retorno do Transit ao Brasil, agora via Uruguai, graças a uma parceria com a Nordex, especializada em montagem de veículos. A linha de produção em Montevidéu, inaugurada com investimento de US$ 50 milhões, iniciou atividades em setembro de 2021.
O modelo é montado em regime CKD (Completely Knocked Down), com peças provenientes da Turquia e da Argentina. A montagem no Uruguai permite à Ford aproveitar as isenções fiscais do Mercosul, facilitando a comercialização no Brasil e em outros países da região.
A versão elétrica do Transit, a E-Transit, também foi introduzida no Brasil. Importada da Turquia, a E-Transit é produzida pela Ford Otosan e voltada para empresas que buscam soluções sustentáveis no transporte de mercadorias.
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