Primeiras impressões: BYD Yuan Plus quer nova chance com AWD e preço de EX30
Com quase 500 cv, SUV tenta sair da sombra do primo Song Plus e agora quer encarar gente grande, especialmente a linha Volvo
Junto da apresentação do Dolphin Plus, realizada no dia 06 de abril, a BYD aproveitou a oportunidade para atualizar também o Yuan Plus, seu SUV médio elétrico. Vendido em versão única, ele chega à linha 2027 com nova motorização e também um belo reposicionamento dentro da gama.
Lançado originalmente em 2022, o Yuan Plus não é exatamente o que se pode chamar de sucesso. Ele veio em uma fase um tanto desconhecida da BYD junto ao público comum e continuou um outsider dentro da gama da chinesa desde então. Em 2026, por exemplo, foram só 837 unidades emplacadas entre janeiro e março.
Ele também sempre esteve em uma faixa bem mais elevada de preço do que o consumidor comum está disposto a pagar em um SUV médio elétrico, tanto que acabou preterido dentro da gama para os modelos híbridos da família Song. Mas a BYD ainda acredita que há, sim, interessados em modelos do tipo, dobrando a aposta (e a potência) do modelo para a linha atualizada.
449 cv e 0 a 100 de Porsche
Tal qual a Volvo fez com o EX30 recentemente, a BYD resolveu apostar em mais refinamento técnico e - principalmente - potência para o novo Yuan Plus. Assim, ele deixou de lado o antigo propulsor elétrico instalado na dianteira de 150 kW (204 cv) e 31,6 kgfm para adotar dois, um em cada eixo.
A potência? Nada menos que 449 cv e 57,1 kgfm de torque, suficientes para levar os 1.880 kg do SUV de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos. Sim, você não leu errado. Antes, quando contava apenas com o motor dianteiro, fazia o mesmo em 7,3 segundos.
| Motorização | Yuan Plus | Yuan Plus AWD |
| Motor | Elétrico, dianteiro | Elétrico, dianteiro e traseiro |
| Bateria | 60,48 kWh | 74,88 kWh |
| Tração | Dianteira | AWD |
| Potência | 204 cv | 449 cv |
| Torque | 31,6 kgfm | 57,1 kgfm |
| 0 a 100 km/h | 7,3 segundos | 3,9 segundos |
A bateria também foi ampliada, saindo de 60,48 kWh para 74,88 kWh, o que eleva a autonomia para até 530 km no ciclo NEDC. A capacidade de recarga acompanha essa evolução, com até 205 kW em corrente contínua, permitindo reduzir o tempo de parada em carregadores rápidos dentro de condições ideais. Vale lembrar que o antecessor tinha 80 kW de potência DC.
O novo powertrain, no entanto, cobra seu preço. Se antes era vendido por R$ 235.990, o SUV passa a ter preço sugerido de R$ 269.990. Não é pouco, claro, mas não há nada menos caro que ofereça números parecidos.
É algo parecido com o que ocorre com o sedã Seal, único elétrico com seu nível de potência até os R$ 300.000. O mais próximo que você encontrará com tal nível de potência é o Volvo EX30 Ultra, com dois motores, e que parte de R$ 309.950, ainda que seu porte, com 4.455 mm de comprimento, 1.875 mm de largura, altura de 1.615 mm e entre-eixos de 2.720 mm, esteja mais próximo do EX40 Ultra, de R$ 379.950.
| Dimensões | Yuan Plus 2027 | Volvo EX30 | Volvo EX40 |
| Comprimento | 4.455 mm | 4.233 mm | 4.440 mm |
| Largura | 1.875 mm | 2.023 mm | 1863 mm |
| Altura | 1.615 mm | 1.550 mm | 1647 mm |
| Entre-eixos | 2.720 mm | 2.650 mm | 2702 mm |
A diferença para os Volvo, no entanto, é que ele não entra totalmente no seara e refinamento dos modelos premium, focando mais na mecânica do que em qualquer outra coisa. E isso aparece na dirigibilidade também.
Veja bem, o Yuan Plus não é um carro ruim, mas é inegável que tem mais potência do que seu chassi consegue administrar. Pisar no fundo do acelerador é um grande teste para quem não está acostumado com tanta potência e torque instantâneo.
Mesmo em nosso curto test-drive, realizado durante minutos nas proximidades do Vision Center da marca, na zona sul de São Paulo, o modelo corre o risco de destracionar até mesmo com as assistências ativadas. É claro que é preciso de mais tempo para cravar o quanto isso afeta no uso do dia a dia, algo que só ocorrerá quando pudermos avaliar o carro com mais tempo.
Também mais prático
As mudanças também chegaram ao visual externo e interno. Do lado de fora, há novos para-choques, lanterna traseira com novos elementos internos e rodas renovadas de 18'' e 215/55, enquanto por dentro, as alterações foram mais focadas em funcionalidade.
O layout do painel segue o mesmo, com linhas onduladas - e que cairiam melhor em um carro da linha Ocean do que em um Dynasty - mas agora com tonalidade quase totalmente preta. Há alguns poucos detalhes em cinza, além das costuras dos bancos claras, mas bem longe dos tons diversos de antes.
Por falar em tonalidade, o Yuan Plus ficou mais careta do lado de fora. O belo tom de azul do modelo anterior deixou de ser oferecido, sendo agora oferecido apenas em cores monocromáticas: Time Grey (cinza), Skiing White (branco) e Obsidian Black (preto).
Ele também está mais tecnológico, graças a nova multimídia de 15,6'' - que não gira - e um novo cluster para os instrumentos de 8,8'', que agora passa a contar com visualização do GPS via Waze e Maps tal como no Song Plus e no Dolphin SE. Por fim, o porta-malas ganhou um adicional de 178 na parte traseira e um inédito frunk de 101 litros.
Vale?
Ainda é cedo para dizer se o mercado vai dar uma nova chance ao Yuan Plus. Predicados ele tem, principalmente ao oferecer um nível de potência, torque e aceleração sem igual na mesma faixa de preço.
O grande problema é que elétricos, por si só, já não são novidade e não conseguem atrair o cliente da faixa dos R$ 200 a R$ 300 mil com o mesmo apelo de um híbrido plug-in. A maior prova disso está no gap de vendas do SUV e do Song Plus. De qualquer forma, qualquer ganho em relação ao volume atual, mesmo que pequeno, já será considerável.
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