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China e Europa se posicionam contra comandos na multimídia; entenda

EuroNCAP e chineses pressionam pelo retorno dos botões físicos: menos distrações, mais segurança nas funções essenciais

Changan Deepal S07
Foto de: Changan

Nos últimos anos, o interior do carro virou uma extensão do mundo digital: grandes telas centrais, interfaces minimalistas e a quase total eliminação de botões físicos. Uma escolha guiada principalmente por estilo, custos e facilidade de atualização de software, mas que agora vem sendo cada vez mais questionada por motivos de segurança.

Na Europa, o assunto voltou ao centro do debate com a atualização dos protocolos de avaliação do Euro NCAP, que passam a valer em janeiro de 2026. A entidade independente, conhecida pelos crash tests e pelas notas de segurança dos carros novos para o continente europeu, decidiu desencorajar interiores baseados exclusivamente em comandos por toque.

Galeria: Teste Leapmotor C10 REEV (BR)

Euro NCAP quer comandos físicos

A partir deste ano, para alcançar as desejadas cinco estrelas será necessário haver controles físicos para algumas funções essenciais: setas, limpadores de para-brisa, pisca-alerta, buzina e chamada de emergência.

As montadoras que continuarem a operar essas funções apenas pela tela sensível ao toque vão perder pontos na avaliação final. Mesmo que as orientações do Euro NCAP não sejam leis, o peso comercial é enorme: as cinco estrelas viraram uma ferramenta de marketing decisiva, e poucas fabricantes podem se dar ao luxo de abrir mão disso.

O interior do Mercedes Classe S (2026), o modelo básico sem revestimento em couro

O interior do Mercedes Classe S (2026),

Foto de: Mercedes-Benz

Menos distrações ao volante

A lógica por trás da decisão é simples: quanto mais o motorista precisa navegar por menus e submenus para acionar funções básicas, maior é o tempo em que ele tira os olhos da estrada. O risco de distração aumenta — e, junto, o de acidentes — especialmente em situações de emergência ou quando o sistema pode travar ou ficar mais lento.

Essa posição europeia se soma a um sinal ainda mais forte vindo da China, hoje o mercado automotivo mais tecnológico e dinâmico do mundo. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação apresentou uma proposta de regulamentação que obrigaria a presença de botões físicos para algumas funções fundamentais de segurança.

Changan Deepal S05

Changan Deepal S05

Foto de: Changan

O texto, atualmente em consulta pública, prevê que setas, pisca-alerta, seleção de marcha e chamada de emergência possam ser acionados por comandos físicos, com superfície mínima de 10x10 milímetros. O objetivo é claro: evitar que funções vitais fiquem escondidas em menus do touchscreen e permitir que o condutor intervenha sem desviar o olhar da via.

Tesla Model 3 Standard (2026)

A Tesla foi uma das primeiras montadoras a eliminar os botões físicos do interior

Foto de: Tesla

Logo a China?

A mensagem é especialmente significativa porque vem justamente do país que mais empurrou a indústria para interiores dominados por telas, seguindo a abordagem popularizada pela Tesla e adotada por diversas marcas locais. Agora, porém, a prioridade volta a ser a segurança no uso.

As novas diretrizes já estão influenciando as decisões das fabricantes. A Volkswagen admitiu que o excesso de comandos por toque foi “um erro” e está reintroduzindo botões físicos para as funções principais em novos modelos elétricos. A Mercedes-Benz afirmou que, para algumas operações, os botões tradicionais continuam sendo a melhor solução, enquanto a Hyundai aposta em uma abordagem híbrida, com teclas e botões para as funções mais usadas.

Até a Tesla, símbolo da interface totalmente por toque, estaria avaliando a volta da tradicional alavanca das setas em alguns modelos.

BYD Seal 6 DM-i Touring, interior e porta-malas

BYD Seal 6 DM-i Touring, interior e porta-malas

Foto: BYD

Na China, a direção autônoma também entra no radar

Enquanto isso, na China, o endurecimento não se limita aos interiores: o governo também quer introduzir padrões mais rígidos para sistemas de direção automatizada de Nível 3 e 4, exigindo níveis de segurança equivalentes aos de um motorista humano e a capacidade de o veículo parar sozinho em caso de problemas.

O resultado é uma convergência entre dois mercados-chave, Europa e China, em direção à mesma conclusão: a digitalização do carro não pode sacrificar ergonomia e segurança. Depois de anos de corrida pelas telas, a indústria parece pronta para resgatar um princípio simples, mas fundamental: para algumas funções, o botão físico ainda é a solução mais intuitiva, imediata e segura.

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