Lembra da Effa? Marca continua firme e forte no Brasil vendendo utilitários
Marca de origem uruguaia bem que tentou atacar entre os carros, mas seu forte é nos comerciais leves
Muito antes de o mercado automotivo falar em marcas como BYD ou GWM, o Brasil experimentou outras ''invasões'' de produtos chineses, que chegaram em um momento de receptividade difícil para marcas originárias de lá, mas acabaram encontrando seu espaço graças ao custo e benefício. Um destes casos é o da Effa Motors.
Bom, para ser exato, a Effa não é exatamente chinesa. Presente por aqui desde 2007, o fabricante tem origem bem mais próxima de nós: o Uruguai. Seu fundador, Eduardo Effa - daí o nome - tem origem no país e, até o ano de 2007, trabalhava em um setor bem diferente do automotivo, na área de enfeites natalinos.
Nessa época, durante uma conversa com empresários chineses, descobriu que o país buscava expandir a venda de seus carros para a América Latina, no que Effa viu uma oportunidade de sair na frente. Durante três anos, ensaiou a importação de diversas marcas, principalmente de utilitários, como as picapinhas da JMC e da Hafei, além, é claro, da Lifan - marca da qual já falamos há algum tempo.
O M100
O primeiro carro de passeio ofertado por aqui foi o polêmico M100. Originalmente feito pela chinesa Changhe e com design quadradinho mesclado com elementos de minivan, ele foi por algum tempo o carro mais barato vendido no Brasil. Na época - meados de 2007 e 2008 - saia por R$ 22.900, ou mais ou menos o que cobrava a Fiat por um Uno Mille.
Seu diferencial, entretanto, era trazer um pacote bem completo para sua faixa de preço, com ar-condicionado, vidros elétricos nas portas dianteiras, alarme, faróis e lanternas de neblina, comando interno do retrovisor, luz de pisca lateral, trava elétrica em todas as portas e na tampa do tanque de combustível, travamento e destravamento remota das portas e rádio AM/FM com CD Player e 3 alto-falantes.
Suas dimensões eram bem diminutas e o motor, um parco propulsor de 970 cm³, sempre a gasolina, que era capaz de render apenas 47 cv e 6,8 kgfm de torque. A velocidade de 0 a 100 km/h, por exemplo, demorava 23,7 segundos, enquanto a máxima era de apenas 140 km/h. Não foi muito bem sucedido, tendo sua carreira encerrada em meados de 2012.
Primeiros ULC eram a cara da Asia Towner
Linha ULC
Quem conquistou mesmo seu espaço no mercado foi a linha de utilitários pequenos ULC. Com preço baixo, os pequenos não exigiam carteira C como caminhões maiores, nem eram tão caros quanto VUCs a diesel maiores, como o Kia Bongo e o Hyundai HR.
Com foco em pequenos comerciantes e prestadores de serviço, a linha ULC - derivada de um projeto da Hafei muito parecido com a antiga Asia Towner - acabou ganhando produção nacional pouco tempo depois, em 2008, no Polo Industrial de Manaus. Eles permaneceram em produção até que a lei de airbags e ABS obrigatórios, vigente desde 2014, passasse a ser regra.
Não foi o fim da linha de utilitários pequenos, que recebeu a linha K, composta por cabine simples (K01) e cabine dupla para 5 pessoas (K02), todos com motor 1.0 aspirado de 53 cavalos. Acima deles ficou a linha V, representada pela V21 (cabine simples) e V22 (cabine dupla).
Neles, o motor era maior, de 1.3 16v e cerca de 78 cavalos. A carga útil era destaque, com 1.240 quilos. A linha recebeu pequenas atualizações desde então, ganhando picapinhas e vans com uma similaridade bastante curiosa - ao menos na dianteira - com Cadillacs da década de 2010.
Permaneceu assim até a linha 2026, quando a gama de produtos - agora só da linha V - ganhou cara nova. Novo também é o motor, agora 1.5, que traz até 112 cv. Ao todo, são quatro carrocerias: V21 Picape (com caçamba aberta), V21 Picape (com baú), V22 Picape e V25 Furgão. Todos baseados no mesmo modelo.
O incêndio da fábrica em 2025
Operando oficialmente desde 2014, a fábrica presente em Manaus foi atingida por um incêndio de grandes proporções em 5 de agosto de 2025. Segundo funcionários ouvidos pela mídia local, faíscas de solda teriam atingido um produto químico, que junto de outras peças das picapes, como pneus, plásticos e outros componentes tóxicos, gerou o fogo.
Com funcionamento em dois turnos, o fabricante teve que se reinventar para manter a produção ativa, procurando um espaço provisório para continuar vendendo seus modelos. É uma situação parecida com a vivida pela Toyota em sua planta de motores no complexo de Porto Feliz (SP), hoje atuando provisoriamente em um galpão próximo às instalações da japonesa.
Hoje, os quatro modelo são vendidos em uma rede mista entre lojas autorizadas - que disputam espaço no showroom com veículos usados multimarca - e rede de oficinas espalhadas por todo o Brasil. Segundo o site oficial da marca, são 47 lojas e 144 pontos de oficina.
As vendas ainda são boas. Em 2025, por exemplo, segundo dados da Fenabrave, foram 2,154 unidades da V21, 469 da V22 e 117 do furgão V25.
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