Leapmotor B10 BEV versus Jeep Compass Sport: turbo flex ou elétrico?
Stellantis contra Stellantis: confira o duelo de ficha técnica entre o novo elétrico da Leapmotor e a versão de entrada do Jeep
Marca mais nova do grupo Stellantis, a Leapmotor chegou em 2025 ao país e vem investindo aos poucos para concorrer com outras novatas vindas da China. A última ofensiva da marca chegou na forma do B10, um SUV que traz muito de seu irmão maior mas com tamanho mais próximo do queridinho de outra marca do grupo, o Jeep Compass.
Mas não é só em dimensões que os dois estão próximos. Vendido em versão única, o B10 chega pelo preço de R$ 182.990, que pode ser diminuído para R$ 175.990 com a negociação de um usado na troca. Ou seja, R$ 1.000 a mais que a versão de entrada do SUV médio da Jeep, o Compass Sport. Mas como a novidade se sai diante de seu primo norte-americano?
Dimensões
Apesar de ambos serem SUVs médios, o projeto mais moderno do Leapmotor acaba ganhando em comprimento, com 4.515 mm (contra 4.404 mm) e também no entre-eixos, de 2.735 mm versus 2.636 mm. Em largura e altura, entretanto, os modelos são bem próximos, sendo o primeiro na casa dos 1.885 mm e 1.655 mm, enquanto o veterano conta com 1.819 mm e 1.632 mm.
A única vantagem do Compass fica para o porta-malas, de 410 litros. No B10, graças ao seu powertrain elétrico, o SUV oferece 365 litros mais 21,5 presentes no frunk, um pequeno maleiro debaixo do capô.
| Medidas | Leapmotor B10 BEV | Jeep Compass Sport |
| Comprimento | 4.515 mm | 4.404 mm |
| Largura | 1.885 mm | 1.819 mm |
| Altura | 1.655 mm | 1.632 mm |
| Entre-eixos | 2.735 mm | 2.636 mm |
| Porta-malas | 365 litros + 21,5 litros (Frunk) | 410 litros |
Elétrico versus Flex
A principal diferença entre os dois, entretanto, está na motorização de cada um. Lançada em 2015, a Leapmotor já surgiu no meio do buzz da eletrificação de marcas chineses, contando com elétricos e os 'super-híbridos' que são elétricos com extensores de autonomia.
Com o B10 não é diferente. Ele chega somente com um propulsor BEV alocado no eixo traseiro de 218 cv, associado a uma bateria de 56,2 kWh, suficiente para oferecer uma autonomia estimada em até 288 km, considerando o padrão de medição divulgado para o mercado brasileiro (PBEV do Inmetro). A arquitetura elétrica utilizada é a Leap 3.5, desenvolvida para reduzir peso, melhorar a eficiência energética e simplificar o conjunto técnico.
É bem diferente da Jeep. De origem norte-americana, a marca ficou conhecida pelos seus grandes motores, em especial dos irmãos maiores do Compass, como o Grand Cherokee. No modelo, a marca utiliza um 1.3 T270 flex de 176 cv e 27,5 kgfm, que mesmo já dentro da filosofia de downzing recente da indústria ocidental, ainda não conta com nenhum tipo de eletrificação. A tração é dianteira.
Seus irmãos com motor 1.3 ganharam recentemente um sistema de eletrificação leve, o MHEV de 48 volts, mas ainda não há previsão de quando - nem se - o Compass ganhará o sistema. É possível que ele chegue ainda antes da nova geração, que já roda no Velho Continente desde o fim de 2025.
| Motorização | Leapmotor B10 BEV | Jeep Compass Sport |
| Tipo | Elétrico (BEV) | Combustão (Flex) |
| Tração | Traseira | Dianteira |
| Potência | 218 cv | 176 cv |
| Torque | 24,5 kgfm | 27,5 kgfm |
| 0 a 100 km/h | 8 segundos | 8.8 segundos |
Equipamentos
No interior, ambos também segue filosofias bem diferentes. No Leapmotor, a marca aposta na maioria das funções no sistema multimídia de 14,6” fixa, além de uma pequena tela de 10,25" digital, enquanto no Compass, cuja a última atualização foi realizada na virada para a linha 2022, segue uma receita mais tradicional, com botões físicos para todas as funções, como ventilação e controle do volume.
Outros exemplos de minimalismo do modelo chinês? Sua chave é por cartão. Não como a dos Renault, mas como um cartão de crédito tradicional. Ele destrava as portas ao ser aproximado do retrovisor externo esquerdo e libera a partida ao ser colocado no console central. O sistema também funciona via aplicativo.
Ele também possui mais itens de comodidade do que o Compass, com teto solar panorâmico de vidro Sky View, além de um sistema de assistência de condução ADAS de nível 2. Há ainda rodas de liga leve aro 18'', sete airbags e câmera com visão 360 graus.
A versão de entrada do Compass, por sua vez, tem conteúdo bem mais franciscano. Os bancos são de tecido, cluster de instrumentos analógico com tela digital ao centro, além de central multimídia menor, com 8,4''. Apesar de mais simples, sai na frente do 'primo' chinês ao oferecer Apple Carplay e Android Auto de série sem fio. Pacote ADAS e outras funções mais sofisticadas ficam para as configurações mais caras.
No fim
Mesmo com preços e tamanhos próximos, os dois SUVs seguem receitas e consumidores diferentes. O Compass acaba sendo a opção mais óbvia quando alguém fala em modelos médios. É, hoje, o modelo mais vendido desse tipo, tendo emplacado 14.107 unidades apenas nos três primeiros meses de 2026.
Já os Leapmotor ainda são modelos mais nichados, algo que pode mudar especialmente com a chegada do B10. A própria marca já anunciou que fará o modelo no Brasil junto de seu irmão maior, o C10. Resta saber se o mercado enxergará neles as qualidades das marcas norte-americanas e europeias que o grupo Stellantis também representa por aqui.
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