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Mercedes-Benz dispara: ''ninguém compra mais peruas''

Alemã admite que desinteresse chinês e avanço dos SUVs inviabilizam novas station wagons

Mercedes-Benz Classe C Todo-o-terreno na estrada

A Mercedes-Benz é a mais nova marca a sinalizar que o futuro das peruas na marca alemã é incerto devido à falta de demanda global, o que pode impedir o lançamento de uma variante familiar para o novo Classe C elétrico, apresentado no último dia 20 de abril.

Em entrevista recente ao portal britânico Autocar, o chefe de design exterior da fabricante, Robert Lesnik, revelou que, embora o estilo seja admirado internamente e por alguns entusiastas, o volume de vendas atual não justifica novos investimentos pesados em novos modelos com esse tipo de carroceria, em especial em mercados como Estados Unidos e China.

"Nós temos três regiões principais. Ninguém as compra na América; nós tentamos a versão Shooting Brake do CLS e ninguém comprou. Os chineses não as entendem e não as compram. Sobra apenas a Europa e, quando você olha para um Mercedes-Benz Classe E, ele é um carro caro - então quem, de fato, consegue comprar um veículo desses hoje?"

A Mercedes-Benz ainda vende o Classe C Estate com motores a combustão em alguns merrcados e e já indicou que dará a geração W206 uma reestilização de meia-vida, o que significa que o modelo deve seguir em linha por mais alguns anos. Além disso, a nova CLA Shooting Brake está disponível tanto com motor a combustão quanto em versão elétrica (EV), enquanto o Classe E maior não deve sair de cena tão cedo. 

É um caminho bem diferente do que sua principal rival, a BMW, planeja para seus próximos anos. A marca já deu pistas de uma i3 Touring, que rivalizaria diretamente com uma perua elétrica do Classe C — caso a Mercedes-Benz decidisse construir uma. Por outro lado, a BMW também avalia o cenário antes de confirmar uma nova geração da Série 3 Touring tradicional.

A ausência de uma perua na sexta geração do Classe C seria um marco histórico negativo para a linhagem iniciada pela Mercedes-Benz nos anos 1990. Para Lešnik, que considera o Classe E Estate atual um carro quase perfeito, é doloroso admitir que a chama das peruas está se apagando.

De qualquer forma, a Mercedes-Benz ainda tem muitas peruas em seu amplo portfólio. Não está claro quantas sobreviverão para ver uma nova geração, mas é difícil imaginar que todas desapareçam até 2030. Talvez uma solução sensata fosse fundir modelos, na mesma linha do que aconteceu quando as versões duas portas do Classe C e do Classe E evoluíram para o CLE Coupé/Cabrio.

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