BYD prepara ecossistema com produção, EREV e recarga no Brasil
Plano inclui fábrica com componentes locais, infraestrutura e foco em software
A BYD começa a desenhar no Brasil um movimento que vai além da expansão de portfólio. Durante agenda na China que antecede o Salão de Pequim, a empresa detalhou planos que envolvem expansão da produção local, desenvolvimento tecnológico e infraestrutura de recarga, em um modelo mais próximo de ecossistema do que de operação tradicional de montadora.
O InsideEVs Brasil acompanha a programação da marca no país asiático e apurou que o projeto industrial em Camaçari (BA) deve ir além da montagem de veículos. A empresa pretende estruturar um complexo com múltiplas unidades voltadas à produção de componentes e maior integração com fornecedores locais.
“Seremos uma fabricante de partes, peças e componentes”, afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil.
BYD no Salão de Pequim 2026
Nesse contexto, a nacionalização de tecnologias mais sensíveis, como baterias, ainda aparece como objetivo de longo prazo. A produção local de células, incluindo a Blade Battery, depende de fatores que vão além da decisão industrial, como acordos de transferência de tecnologia entre países. Segundo Baldy, trata-se de um movimento que envolve Brasil e China em nível estratégico.
A expansão também passa pela infraestrutura. A BYD trabalha com a meta de implantar até 1.000 pontos de recarga ultrarrápida no Brasil até 2027, inicialmente vinculados à marca Denza. A proposta inclui soluções com armazenamento de energia integrado, capazes de reduzir a dependência de redes elétricas mais robustas. “O grande desafio é vencer a ansiedade de recarga”, disse o executivo ao detalhar o projeto.
Outro eixo relevante é a diversificação das tecnologias de propulsão. Além dos modelos 100% elétricos, a marca vem ampliando o uso de sistemas com extensor de autonomia (EREV), nos quais o motor a combustão atua como gerador. Esse tipo de configuração já ganha espaço na China e surge como alternativa para mercados onde a infraestrutura de recarga ainda está em desenvolvimento.
Galeria: BYD no Salão de Pequim 2026
A BYD também estrutura uma base de desenvolvimento local. Parte das atividades ficará concentrada na Bahia, junto à operação industrial, enquanto um centro no Rio de Janeiro deve atuar em pesquisa, experiência de produto e desenvolvimento de tecnologias como condução assistida.
“O desenvolvimento de produto no Brasil será feito na Bahia”, explicou Baldy.
No conjunto, o movimento indica uma mudança de abordagem. Além de ampliar a oferta de modelos, a BYD passa a estruturar no Brasil uma operação integrada, combinando produção, tecnologia e infraestrutura, um modelo que tende a influenciar a forma como outras marcas atuam no mercado local.
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