Chevrolet Onix RS 2026 ainda vale a pena? Veja o teste completo!
Renovado após quase seis anos, hatchback quer provar que ainda tem fôlego para continuar sendo opção aos SUVs
Fato que o mercado e o consumidor já não são mais os mesmos de quando o Onix chegou ao mercado, no já longínquo ano de 2012. Naquela época, o hatch era a grande resposta de uma Chevrolet que ainda arrumava sua casa, tirando modelos Opel defasados de linha e apostando em carros próprios. Deu certo. E, pouco tempo depois de chegar ao mercado, o Onix foi o grande responsável por destronar o até então imbatível VW Gol.
Mais de uma década depois, o cenário é bem diferente. Hoje, poucas marcas ainda investem pesado em hatches de entrada, como o próprio Gol que se despediu desse mundo após 40 anos, sem falar nos novos SUVs compactos que estão armados justamente para matar os hatches compactos, tanto na mente do consumidor quanto dentro das montadoras como produtos mais rentáveis.
Mas a Chevrolet ainda acredita em volume. E, para a sua linha 2026, Onix e Onix Plus finalmente ganharam sua primeira mudança visual desde seu lançamento, em 2019. Por curiosidade, tivemos acesso às duas carrocerias praticamente ao mesmo tempo, apesar da distância de suas avaliações.
Tabelado em R$ 130.190, o Onix RS já estava presente na linha anterior, mas não era posicionado como topo de linha da gama do carro. Agora, assume esse papel mantendo a proposta mais visual do que técnica, apostando em spoilers na parte inferior dos para-choques, rodas de liga leve, maçanetas e aerofólio pintados em preto.
Grade é do tipo colmeia pintada em preto brilhante
Visual diferentão, mesmo motor
Assim como as demais versões automáticas, o Onix RS é equipado com o propulsor 1.0 CSS Prime em configuração turbo, capaz de entregar 115,5 cv a 5.500 rpm e 16,8 kgfm a 2.000 rpm quando abastecido com etanol. A principal diferença em relação ao irmão maior Tracker, também renovado para a linha 2026, está no sistema de injeção, que permanece do tipo indireta nos compactos.
Nem por isso o modelo perde em suavidade durante o uso. Da mesma forma que no sedã, o pequeno - e polêmico - propulsor manteve suas características de baixíssimo nível de ruído a bordo e praticamente nenhuma vibração, mesmo tendo apenas três cilindros, reforçando seu bom acerto para o uso cotidiano.
O que pode decepcionar alguns é a total ausência de modos de condução. Ao contrário do que seu visual mais invocadinho possa sugerir, o Onix RS se comporta da mesma maneira que um LT intermediário quando equipado com esse mesmo conjunto mecânico. Não há paddle-shifts no volante, e a manopla de câmbio também não conta com a possibilidade de trocas manuais, oferecendo apenas a posição Low, que funciona como uma espécie de freio-motor e mantém o carro em marchas mais reduzidas.
É verdade que esportividade nunca foi exatamente a praia do Onix, servindo mais como um modelo de visual do que entusiasta de fato. Ainda assim, quase todos os seus concorrentes contam com algum tipo de ajuste nesse quesito. Uma pena.
Agora vai?
Também está lá a polêmica correia banhada a óleo. A Chevrolet sabe que o modelo ganhou certa fama nas redes - seja ela justificada ou não - e resolveu agir, mas sem redesenhar o motor inteiro. Para a linha 2026, a marca seguiu um caminho mais simples e direto, trocando a correia por uma versão considerada mais resistente e também mudando o fornecedor. A peça antes produzida pela Continental passou a ser feita pela Dayco.
Não dá para saber ainda se as reclamações vão simplesmente desaparecer. O que dá para dizer, por outro lado, é que a Chevrolet segue apostando no sistema. A prova mais clara disso é a extensão da garantia da correia para 240.000 km e, principalmente, a decisão de reativar essa garantia para qualquer Onix fabricado a partir de 2020, mesmo que o carro já tenha trocado de dono várias vezes. A ação contempla unidades 2019/2020 em diante.
Polêmicas e problemas resolvidos ou não, o grande destaque do Onix é no consumo. Em nossos teste, o hatchback fez 11,7 km/l em circuito urbano e 18 km/l em ciclo rodoviário, utilizando sempre gasolina. É um número um pouco menor que o divulgado pelo Inmetro em ciclo urbano, que acusa consumo de 12,1 km/l, enquanto na estrada foram bem melhores do que as oficiais, em 15,3 km/l.
Espaço de sobra
Mas, se a esportividade não é o forte do hatch, o mesmo não podemos dizer de seu aproveitamento de espaço e da dirigibilidade. Esta geração, que nasceu em parceria com um dos braços chineses da General Motors, a SAIC, aposta muito mais em uma boa posição de dirigir do que a anterior, algo que foi preservado neste facelift.
Nas dimensões, o Onix RS 2026 continua sendo um dos maiores de sua categoria, quase flertando com modelos médios. São 4.169 mm de comprimento, 2.551 mm de entre-eixos, 1.474 mm de largura, 1.746 mm. O porta-malas, por sua vez, é de 303 litros.
O habitáculo também está mais moderno e - felizmente - não adotou os tons em vermelho berrantes do irmão Tracker RS. Aqui, a cor aparece em detalhes bem mais pontuais, como as costuras em vermelho nos bancos de couro, na parte em tecido dos forros de porta e no volante. De resto, a aposta é no clássico pretinho básico - pessoalmente, o resultado final ficou melhor até que o do irmão Plus Premier, que mistura elementos em azul a depender da região.
Entre as novidades, está ainda a adoção de telas digitais para o painel de instrumentos e também para a central multimídia. Ambos foram herdados da minivan Spin e da picape S10, que têm boa visualização e deixaram o Onix alinhado ao que a concorrência já oferece, principalmente o VW Polo e o Peugeot 208.
Mas, como nem tudo são flores, tanto o hatch quanto o sedã resolveram complicar o que era simples e deixam todos os comandos do que você vê na parte de instrumentos, como consumo e autonomia, em uma das várias subtelas da central. E já que falamos da central, reforço meu elogio ao software usado pela Chevrolet. Não houve nenhum tipo de falha de conexão ao utilizar Android Auto ou Apple CarPlay, ambos sem fio, com uma interface rápida e fácil de usar.
Mais cara, mas não a mais completa
Mesmo com o ar mais jovial e tecnológico, nem o cockpit nem as portas passaram a ter mais atenção no acabamento, algo que poderia ter ocorrido ao menos nas versões de topo, já que a Chevrolet não conta mais com sua linha de médios oriundas do Cruze. Por isto, espere bastante plástico rígido, ainda que a marca tenha trabalhado bem na mistura de texturas presentes nele.
Também decepciona que o Onix RS, agora posicionado como versão topo de linha e com preço que passa dos R$ 130 mil inexplicavelmente não receba a assistência de alerta de ponto cego nem o sistema de estacionamento automatizado, que estão disponíveis na Premier (R$ 129.990). Faz sentido?
No final..
Ainda que não tenha mudado tanto quanto poderia, a Chevrolet fez um bom trabalho na linha 2026 do Onix, dando o ar de frescor que o modelo precisava. Na vida real, o modelo parece continuar agradando o público, haja visto como suas vendas reagiram nos últimos meses após a adoção do novo visual. Afinal, após seis anos, agora os donos do hatchback e do sedã finalmente tem motivo para visitar as concessionárias.
Só no caso do modelo menor, desde o lançamento em meados de 2019 até novembro de 2025, foram 806.943 unidades emplacadas. Não são números que você simplesmente abandona, e a marca norte-americana sabe muito bem disto.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Chevrolet Onix RS 1.0T AT6
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