Avaliação Foton Tunland V7: sabor picape grande (alto em eletrificação)
A cara, literalmente, é de caminhonete grande, mas o preço é de média
Você já leu em outros lugares várias opiniões sobre a Foton Tunland V7, variando do extremamente objetivo custo beneficio ao caricato "parece uma Ford F-150". Mas parece que ninguém tinha parado para viver de verdade com a picape, sentir como ela é no mundo real ou saber apreciá-la pelo que oferece, ainda que tenha algumas falhas.
Mesmo quando você vai direto ao ponto, a Foton Tunland V7 é quase um parque de diversões e entrega um sabor de picape grande por uma fração do preço. E olha que no papel ela tem o trunfo de ser a primeira picape diesel do Brasil com sistema híbrido junto à "irmã" V9, a que parece uma Ram 1500. E vamos lembrar: a Foton tem 15 anos de mercado brasileiro vendendo caminhões. Picape é carro pequeno pra eles. Mas será Foton Tunland V7 devolve os R$ 289.900 que você pagou nela de alguma forma?
Galeria: Avaliação Foton Tunland V7
No papel, aceita até Pix
Apresentada em julho de 2025, a Foton Tunland V7, junto à V9, teve o mérito de ser a picape "média" híbrida do Brasil. Sim, chegou antes da BYD Shark e, em setembro do ano passado, V7 e V9 juntas tinham vendido mais que a rival da BYD. Você pode não conhecer a Foton, mas é uma marca que atua há mais de uma década no Brasil com caminhões leves. Hoje, já possuem mais de 60 pontos de venda espalhados pelo país e, para eles, fazer picape é algo mais simples.
Indo especificamente para Tunland V7 testada, é uma picape que fica no meio do caminho entre uma média e uma grande. São 5.617 mm de comprimento, 3.355 mm de entre-eixos, 2.090 mm de largura (sem espelhos) e 1.910 mm de altura. Tem uma caçamba maior que o das médias, principalmente no comprimento, e leva mais de 1.300 litros. Seu chassi por longarinas é de seção quadrada reforçado. De novo, pra quem mexe com caminhão, esse nível de estrutura é trivial.
O motor no papel não parece grandes coisas. É um 2.0 turbodiesel com potência e torque na faixa mais baixa da categoria média: são 175 cv e 45,4 kgfm. Mas o que a linha Tunland tem que as rivais não têm é o sistema híbrido leve. Há um motor elétrico de 48 volts que, sozinho, pode entregar 12 cv e 5,1 kgfm para ajudar nas acelerações e na economia de combustível. A transmissão é uma velha conhecida: a ZF 8HP, automática de 8 velocidades. A tração é 4x4 com reduzida e a picape ainda oferece bloqueio do diferencial traseiro.
Os dados que a Foton divulga dão conta de que o consumo urbano da Tunland V7 é de 8,7 km/l, enquanto o rodoviário chega a 9,9 km/l e acelera de 0 a 100 km/h em 13 segundos. Os números não são lá essas coisas considerando que a há rivais na categoria mais rápidas e eficientes pelo mesmo preço.
A lista de equipamentos de série é bem extensa. No caso da Tunland V7, tem degrau de acesso à caçamba integrado à tampa, estribos laterais, faróis e lanternas de LED, bancos dianteiros elétricos, assentos aquecidos na dianteira, chave presencial, carregador por indução, painel de instrumentos com tela de 12,3", vidros elétricos (um toque apenas para o motorista), multimídia com tela de 14,6", Apple CarPlay sem fios, freio de estacionamento eletrônico, câmera de 360 graus, luz ambiente, sensor de chuva e crepuscular e 6 modos de condução, entre outros.
Na segurança, traz 6 airbags, alerta de colisão frontal, alerta de permanência em faixa, detector de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, reconhecimento de placas de velocidade, detector de fadiga do motorista e assistente de partida em rampa.
Na comparação com a Tunland V9, a V7 fica devendo rack de teto, auxiliar de centralização em faixa, frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, bancos dianteiros ventilados, teto solar e vidros elétricos com função um toque para todas as janelas.
Revisões não costumam aparecer muito em nossas avaliações, mas no caso da Tunland V7 vale destacar porque os proprietários podem pagar com Pix e terem desconto, 12,5% em média. Confira o plano e o custo de manutenção. Elas acontecem uma vez por ano ou a cada 10.000 km. E vamos combinar, desconto no Pix é algo que só uma empresa que conhece o mercado brasileiro faz.
| Revisão | Período | Valor | Valor no Pix | Parcelado (sem juros) | Itens revisados |
| 1° Revisão | 12 meses ou 10.000 km¹ | R$ 1.499,34 | R$ 1.312,57 | até 4x de R$ 374,84 | Troca de óleo e filtro de óleo do motor, anel do bujão do Carter, filtro do ar condicionado, filtro de combustível, filtro de ar do motor |
| 2° Revisão | 12 meses ou 10.000 km² | R$ 898,56 | R$ 786,63 | até 4x de R$ 224,65 | Troca de óleo e filtro de óleo do motor, anel do bujão do Carter, filtro do ar condicionado |
| 3° Revisão | 12 meses ou 10.000 km² | R$ 1.499,34 | R$ 1.312,57 | até 4x de R$ 374,84 | Troca de óleo e filtro de óleo do motor, anel do bujão do Carter, filtro do ar condicionado, filtro de combustível, filtro de ar do motor |
| 4° Revisão | 12 meses ou 10.000 km² | R$ 2.884,79 | R$ 2.525,43 | até 4x de R$ 721,20 | Troca de óleo e filtro de óleo do motor, anel do bujão do Carter, filtro do A/C, fluido de arrefecimento, fluído de freio, óleo dos eixos |
| 5° Revisão | 12 meses ou 10.000 km² | R$ 1.499,34 | R$ 1.312,57 | até 4x de R$ 374,84 | Troca de óleo e filtro de óleo do motor, anel do bujão do Carter, filtro do ar condicionado, filtro de combustível, filtro de ar do motor |
| 6° Revisão | 12 meses ou 10.000 km² | R$ 2.418,27 | R$ 2.117,02 | até 4x de R$ 604,57 | Troca de óleo e filtro de óleo do motor, anel do bujão do Carter, filtro do ar condicionado, correia dentada, polia da correia, óleo dos eixos |
| 7° Revisão | 12 meses ou 10.000 km² | R$ 1.499,34 | R$ 1.312,57 | até 4x de R$ 374,84 | Troca de óleo e filtro de óleo do motor, anel do bujão do Carter, filtro do ar condicionado, filtro de combustível, filtro de ar do motor |
| 8° Revisão | 12 meses ou 10.000 km² | R$ 2.884,79 | R$ 2.525,43 | até 4x de R$ 721,20 | Troca de óleo e filtro de óleo do motor, anel do bujão do Carter, filtro do A/C, fluido de arrefecimento, fluído de freio, óleo dos eixos |
| 9° Revisão | 12 meses ou 10.000 km² | R$ 1.884,60 | R$ 1.649,83 | até 4x de R$ 471,15 | Troca de óleo e filtro de óleo do motor, anel do bujão do Carter, filtro de A/C, filtro de combustível, filtro de ar do motor, óleo da caixa de transferência |
| 10° Revisão | 12 meses ou 10.000 km² | R$ 1.433,52 | R$ 1.254,94 | até 4x de R$ 358,38 | Troca de óleo e filtro de óleo do motor, anel do bujão do Carter, filtro do ar condicionado, filtro de combustível, filtro de ar do motor, óleo dos eixos |
O medo passou
Quando a Foton lançou as Tunland V7 e V9, foquei na última (a que parece uma Ram 1500). Com a mesma mecânica, elas se diferenciavam principalmente pelo uso de suspensão traseira com feixes de mola na V7 e molas helicoidais na V9, visual e alguns itens de segurança a mais na última. E quando uma montadora aposta nas helicoidais é para dar mais conforto e dirigibilidade. Meu medo ao andar com a Foton Tunland V7 era o de ficar pulando no banco que nem aconteceu com a GWM Poer P30 Exclusive testada no ano passado.
Mas esse medo passou rápido. Uma coisa que você precisa entender quando dirige uma Foton Tunland V7 é que você não está numa picape média. A síndica do meu prédio, por exemplo, amou que a picape conseguiu ocupar uma vaga inteira de canto e ainda comer um pedaço de outras 3 ao redor. Só que ela é tão comprida, tão pesada e tem o entre-eixos tão longo que as trepidações do asfalto se dissipam antes de chegar à cabine.
Tive até que relembrar as aulas de quando tirei habilitação de ônibus para poder tocar a picape com a proeza de não a ter ralado nem raspado o eixo traseiro na guia ao virar uma esquina. Só não tente fazer curvas rapidamente, ela vai lembrar mais um ônibus do que um carro, com bastante rolagem. Se você andou em picapes de 20 anos atrás, sabe do que eu estou falando.
Se por fora a V7 emula uma Ford F-150, o painel de instrumentos tem gráficos que parecem ter vindo diretamente de um Mercedes-Benz. Até a lógica de controle é a mesma. Contando da esquerda para a direita, a régua de controles abaixo da multimídia tem 13 botões. Numa era de menus enterrados na tela, é um alívio ter acesso rápido a coisas simples, como o ar-condicionado.
A cabine da V7 inclusive emula muito bem uma picape grande, com amplo espaço lateral, sobras para as pernas no banco traseiro e um teto bem alto. Nada de ficar com os joelhos altos ou raspando os ombros como em outras picapes médias. E isso nos leva à caçamba. São 1,65 m de comprimento com 1,57 m de largura, além de mais de meio metro de altura. Espaço lá não falta e o degrau integrado na caçamba é grande, pesado e faz barulho de rifle engatilhando quando você o destaca ou o acopla na tampa.
Claro, o acabamento poderia melhorar. A unidade avaliada tinha um dos painéis plásticos de acabamento na coluna inferior da porta solto. Para fins de transparência, a picape participou do teste-drive de lançamento e estava há meses rodando na mão de jornalistas, o que acelera o desgaste de qualquer carro.
Dito isso, vou tirar o chapéu para a coragem da Foton em oferecer apenas interiores com alguma cor. Você pode escolher branco, laranja terracota ou marrom café. Sei que os brasileiros preferem uma cabine toda preta para virar uma estufa embaixo do sol, mas é bom ver que algumas marcas se importam em oferecer opções diferentes.
Dialoga com o popular
Então quer dizer que híbridos estão na moda? Toma aí um sistema de 48 volts. Pode ser apenas híbrido leve, mas pelo menos é mais forte que os de 12 volts que a Stellantis, por exemplo, oferece nos carros de passeio. Sim, assim como vocês eu imaginei que um motorzinho elétrico pendurado por correia no motor não ia fazer diferença.
Me enganei. A Foton Tunland V7 não teve tempo de passar por nossos testes padronizados, mas aferi pelo computador de bordo mesmo assim. No meu uso urbano, apontou 11,9 km/l, enquanto o rodoviário foi a 12,6 km/l. Ambos os números são muito melhores do que os declarados pela marca.
O que não te contam é como o motor de 48V trabalha duro. Além de ser o motor de partida, ele auxilia nas arrancadas e retomadas principalmente para reduzir o tempo de espera até a turbina encher. A Tunland V7 não é nem de longe uma picape rápida, mas a dinâmica do motor de 48V é divertida. Você percebe um sopro de empuxo e o turbodiesel roda liso por alguns instantes. Se você prestar atenção, consegue até ouvir o motor elétrico funcionando.
Se a Foton Tunland V7 não tem a dinâmica de condução de uma Ford Ranger, pelo menos entrega o conforto de uma F-150. A picape parece flutuar na estrada e, mais alta, isola mais os ruídos de vento e asfalto.
Se você torce a cara para uma picape que parece ter copiado o visual de outra, é melhor não comprar a Tunland mesmo. E se você não gosta de chamar a atenção, melhor evitar a picape da Foton também. A redação do Motor1.com Brasil avizinha-se com o CEAGESP. Aqui, caminhões e caminhonetes são a realidade do dia a dia. Mesmo assim, nunca tinha recebido tanto jóinha e sinais de apreciação como andando com a V7. Caminhoneiros, entregadores, seguranças, motoqueiros... ninguém passou inócuo à Tunland.
Sinal de que a picape dialoga com o popular e fico me perguntando se uma Toyota Hilux teria o mesmo efeito. Na V7, apenas baixava as janelas, subia o som e curtia o passeio. Ela não tem vergonha de ser o que é, e você também não pode ter se for comprar uma. E ainda tem preço de picape média em versão de entrada ou intermediaria, dependendo da marca que você olha. Custo benefício com diversão? Algo raro hoje em dia.
Se o que descrevi até agora não te convenceu, vou deixar isso aqui: eu tenho asco de carro desnecessariamente grande. A Foton Tunland V7 entraria facilmente nessa categoria. Depois de andar, a picape se tornou o único carro que testei nos últimos 12 meses com o qual gostaria de ter passado mais tempo.
Foton Tunland V7
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