VW Amarok V6 nas dunas do Peru prova que ainda dá conta do recado
Expedição da Volkswagen no deserto revela por que a Amarok V6 ainda se destaca em dirigibilidade e desempenho após 15 anos de mercado
De Paracas (Peru) - A Volkswagen escolheu um cenário pouco convencional para colocar a Amarok à prova. Em vez das estradas ou fazendas que costumam fazer parte da rotina da picape no Brasil, Motor1.com participou de uma expedição que levou o modelo para o deserto próximo a Paracas, no litoral peruano. A paisagem lembra em muitos momentos o que se vê nos Emirados Árabes, com dunas extensas e estradas recortando um terreno dominado pela areia.
Dirigir uma picape nesse ambiente muda completamente a percepção sobre o que ela precisa entregar. No Brasil, a Amarok costuma ser associada ao agro, às rodovias ou ao uso urbano. No Peru, o contexto é diferente. A mineração tem peso relevante na economia e muitos deslocamentos acontecem em terrenos irregulares e isolados, onde robustez e capacidade off-road são requisitos básicos.
Essa diversidade ajuda a explicar por que as montadoras desenvolvem picapes pensando em uma região como um todo, como na América Latina, e não apenas em um mercado específico. Um mesmo modelo precisa funcionar em diferentes altitudes, diferentes tipos de piso e diferentes usos, do trabalho pesado ao turismo de aventura. Foi exatamente esse tipo de cenário que a Volkswagen quis explorar durante a expedição.
A Amarok V6 ainda entrega
Colocar a Amarok nesse ambiente ajuda a entender por que ela construiu uma reputação tão sólida no segmento. A atual geração utiliza um motor 3.0 turbodiesel V6, que entrega 258 cv de potência e 59,1 kgfm de torque, e que chega a 272 cv com o overboost, números que ainda hoje colocam a picape entre as mais fortes da categoria.
Expedição VW Amarok V6 nas dunas do Peru
Esse conjunto trabalha com transmissão automática de oito marchas e tração integral permanente 4Motion, responsável por distribuir o torque entre os eixos de acordo com a aderência disponível.
Nas dunas do deserto peruano, o efeito prático desse conjunto aparece rapidamente. O torque surge cedo e permite manter o embalo necessário para subir inclinações de areia profunda, enquanto a tração integral trabalha constantemente para evitar perda de aderência.
Mais do que números de potência, o que chama atenção é o acerto de dirigibilidade. A Amarok sempre teve uma proposta um pouco diferente dentro do universo das picapes médias. Desde o lançamento, a Volkswagen procurou entregar comportamento mais próximo de um automóvel, com direção precisa e estabilidade em velocidade, algo que continua evidente quando o terreno fica mais exigente.
Dirigibilidade ainda agrada mesmo com 15 anos de mercado
Essa característica aparece tanto em estrada quanto em terrenos soltos como areia ou cascalho. É um tipo de equilíbrio que poucas picapes médias conseguem oferecer. No deserto peruano, subidas longas de areia exigem torque constante e controle preciso do acelerador, enquanto descidas pedem estabilidade e freios bem calibrados. Em situações assim, a Amarok mostra que o projeto ainda tem uma base mecânica muito sólida.
Expedição VW Amarok V6 nas dunas do Peru
Ainda tem lenha para queimar
A Amarok atual foi lançada em 2010 e já acumula cerca de 15 anos de mercado, aproximando-se da marca de 800 mil unidades produzidas na região. Ao longo desse tempo, a picape recebeu atualizações importantes, principalmente com a chegada do motor V6, que mudou completamente a percepção do modelo dentro do segmento.
Central multimídia entrega o essencial como Apple CarPlay e Android Auto integrados por fio
Ainda assim, o tempo começa a aparecer em alguns pontos. Interface multimídia, sistemas de assistência ao motorista e conectividade não acompanham a evolução que alguns rivais mais recentes passaram a oferecer.
A própria Volkswagen reconhece esse cenário. A nova geração da Amarok já está em desenvolvimento e deve começar a aparecer publicamente ainda este ano, mas a chegada às concessionárias está prevista apenas para 2027.
O que esperar da nova geração
Durante o evento no Peru, Alexander Seitz, chairman da Volkswagen para a América Latina, indicou que a próxima Amarok deverá dar um salto importante em tecnologia e desempenho.
Segundo o executivo, a nova picape terá performance equivalente à de um Porsche Panamera, embora ainda não esteja claro qual será a configuração mecânica escolhida. Estamos falando de potência na casa dos 470 cavalos, provavelmente vindo de um sistema híbrido plug-in. Isso não significa necessariamente o fim do motor V6, mas a marca ainda não confirmou se a próxima geração manterá esse tipo de conjunto.
Expedição VW Amarok V6 nas dunas do Peru
Oportunidade para quem gosta de V6
Enquanto a nova geração não chega, a Amarok atual continua no mercado por mais um ciclo. E isso cria uma situação interessante dentro do segmento. A picape já não é a mais moderna quando se olha para tecnologia ou conectividade, mas continua oferecendo algo que poucos concorrentes conseguem replicar: a combinação entre torque abundante, dirigibilidade precisa e sensação de segurança em velocidade, principalmente na estrada, características que sempre marcaram a Amarok.
Expedição VW Amarok V6 nas dunas do Peru
Para quem aprecia a pegada de um turbodiesel V6 forte e progressivo, o momento atual pode representar a última oportunidade de ter esse tipo de experiência antes da mudança de geração.
A próxima Amarok provavelmente será mais tecnológica, mais conectada e possivelmente eletrificada. A atual, porém, ainda tem uma qualidade difícil de substituir: dirigir como poucas picapes médias conseguem. E foi exatamente isso que ficou evidente nas dunas do deserto peruano.
Expedição VW Amarok V6 nas dunas do Peru
Se a nova geração não mantiver o V6, posso prever que a atual será quase como um item de coleção para quem aprecia, assim como o Golf GTI, Tiguan 2.0 TSI... A vantagem é que a Amarok V6 ainda tem mais 5 anos de garantia e você pode conseguir uma boa negociação. Quem gosta do V6, ainda dá tempo.
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