Ir para o conteúdo principal

Teste: GWM Haval H6 PHEV35 2026 entrega quase 400 cv e até 142 km elétricos

Com quase 400 cv, acelera como esportivo e chega a quase 150 km sem gastar gasolina

Teste GMW Haval H6 PHEV35 2026
Foto de: Motor1 Brasil

Em três anos, de março de 2023 a março deste ano, o GWM Haval emplacou mais de 76 mil unidades no Brasil, se aproveitando muito de sua variedade de versões e conjuntos híbridos para atender diversos tipos de compradores, indo de um híbrido HEV a um SUV cupê com quase 400 cv em um pacote PHEV de tração integral.

Este é o GWM Haval H6 PHEV35 2026, que usa o conjunto mais potente híbrido plug-in, mas segue com a carroceria tradicional e está na faixa intermediária por R$ 289 mil. Não é o mais vendido da linha, mas não é raro o ver pelas ruas por quem quer um alcance elétrico maior que do H6 PHEV19 sem ter que levar a carroceria mais esportiva do H6 GT. 

Mudanças que foram pedidas

A não ser o cupê GT, as demais versões do Haval H6 mudam pouco entre si. Em comum, a linha 2026 recebeu uma reestilização com nova dianteira e interior, mas mantendo a traseira por uma escolha dos compradores comparada com a que está no H6 chinês. 

Na dianteira todo o conjunto é novo, com destaque para um para-choque mais limpo, grade maior e preenchida por elementos geométricos e as luzes diurnas que descem dos faróis principais. Perdeu os faróis de neblina, mas segue com os mesmos faróis fullLEDs. O H6 PHEV35 tem rodas de 19" com o mesmo desenho de antes da reestilização. 

Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Por falar em rodas, um antigo pecado do SUV continua: não há estepe. Em seu lugar, o Haval H6 conta apenas com o kit de reparo, ineficiente em situações mais graves, uma falha que as marcas chineses seguem ignorando em nosso mercado. Com certeza o porta-malas de 560 litros acomodaria ao menos um conjunto de roda e pneu temporários. 

Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Em porte, o GWM Haval H6 PHEV35 se destaca diante da concorrência de marcas tradicionais, como o Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, e segue na mesma linha dos chineses diretos, como BYD Song Plus e o novo Geely EX5 EM-i, e dos VW Tiguan, Chevrolet Equinox e Jeep Commander. 

São 4.703 mm de comprimento, 1.730 mm de altura e 1.886 mm de largura, com uma distância entre-eixos de 2.738 mm. Essa vantagem em porte e dimensões ficou bem evidente na semana em que o carro esteve em avaliação, convivendo lado a lado na garagem com um Jeep Compass.

Dimensões GWM Haval H6 PHEV35
Comprimento 4.703 mm
Largura 1.886 mm
Altura 1.730 mm
Entre-eixos 2.738 mm
Porta-malas 560 litros

Se isso é bom por um lado, há um problema. A depender da vaga ou garagem, seu tamanho já começa a virar dor de cabeça na hora de estacionar, principalmente nas cada vez mais apertadas ruas, avenidas e garagens dos grandes centros. A GWM precisa de um modelo menor para atender esses clientes que não precisam de algo tão grande como o Haval H6.

Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Equipamentos surpreendem

Desde a versão HEV2, a mais barata, o SUV já bem com pacote generoso de equipamentos. Há carregador sem fio de 50w, ar-condicionado automático de duas zonas, head-up display, teto-solar panorâmico, tampa do porta-malas com abertura e fechamento automatizada, retrovisores com rebatimento, bancos em couro e assento do motorista com ajustes elétricos, seis airbags e sistemas ADAS nível 2.

Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Fotos de: Thomas Tironi
Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Fotos de: Thomas Tironi

No PHEV35, versão mais completa sem a carroceria acupezada, o SUV adiciona ainda banco do passageiro dianteiro com ajustes elétricos, a câmera ''dedo duro'' de distração do motorista, sistema Full Park Assist — que estaciona o carro quase sozinho — e o acabamento em dois tons no interior que a GWM chama de Marfim. Para quem não deseja o interior bege claro, a marca passou a oferecer recentemente a versão topo também com interior preto.

Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Ao volante

As principais novidades do Haval H6 2026, no entanto, estão no interior. Meu contato com o modelo original até hoje foi breve, mas deixou a impressão de que a cabine tinha pontos a melhorar. Na época, a escolha de cores exageradas — que misturavam preto, bege e laranja — e o volante com aro fino demais não agradavam. A GWM soube ouvir os consumidores e retrabalhou toda a mescla de tonalidades e, mesmo com o tom bege claro do PHEV35, nada parece "over" aqui.

É verdade que o novo interior não corrigiu todas as falhas anteriores; na verdade, adicionou algumas. Se antes alguns comandos podiam ser controlados por botões físicos, agora quase tudo está concentrado na nova multimídia de 14,6'', bem como no volante herdado do Wey 07.

Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Fotos de: Thomas Tironi
Fotos de: Thomas Tironi

De seu irmão maior, aliás, o H6 repete vícios típicos de interiores minimalistas demais. Quer comandar o ar-condicionado? Multimídia. Faróis? Também. Quer selecionar modos de condução ou mudar o funcionamento do sistema híbrido? Tudo está na tela principal. Na prática, o que deveria ser simples exige mais atenção do que o necessário durante a condução.

No geral, a melhora foi positiva, o interior está mais maduro e a multimídia tem funcionamento rápido. O painel de instrumentos, de 10,2'', traz opção do prático espelhamento do GPS tanto do Waze quanto do Maps.

Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Fotos de: Thomas Tironi
Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Fotos de: Thomas Tironi

A mecânica também recebeu atualizações e herdou refinamentos do Wey 07, como a nova bomba de óleo variável e a de água geométrica. Estas funcionam sob demanda, melhorando o aproveitamento de energia.

Isso se reflete nos excelentes números que o carro registrou durante nossos testes instrumentados. Nem mesmo os 2.070 kg foram capazes de apagar o brilho dos 393 cv e 78,7 kgfm de torque, dando ao SUV aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 5 segundos, ou 0,1 s a mais do que o divulgado pela marca.

Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Apesar de os números impressionarem, o Haval H6 está bem longe de ser ou sequer sugerir qualquer comportamento mais esportivo. Como bom SUV familiar, seu foco mesmo é a disposição em ultrapassagens e o conforto à bordo, bom para todos os cinco ocupantes e melhorado na linha 2026 graças aos novos ajustes da suspensão, ainda que haja alguns bate e bate aqui e ali quando se passa por ruas muito esburacadas.

Já no consumo, o modelo rodou 142 km em modo totalmente elétrico. Em modo híbrido, as médias foram de 12,2 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada. Comparado ao divulgado pelo Inmetro, foi ligeiramente melhor no circuito urbano e bem superior na estrada (onde a marca oficial é de 10,9 km/l).

Teste GWM Haval H6 PHEV35 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Vale a compra?

A concorrência entre os SUVs híbridos até R$ 300 mil nunca foi tão grande quanto agora — e, no que depender dos mais recentes anúncios feitos durante o Salão de Pequim deste ano, devem crescer ainda mais — mas o Haval H6 continua sendo um bom produto e com bons diferenciais.

A reestilização de meia vida também lhe fez muito bem, dando ar mais refinado e ar de novidade. Não que precisasse, mas a GWM soube trabalhar bem a renovação. Uma pena que essa ainda não foi a vez da chegada do sistema híbrido plug-in flexível. Essa responsabilidade caberá ao Tank 300, também da marca chinesa, e só deve chegar ao H6 em um segundo momento.

Ele também peca pelo excesso de minimalismo em sua parte interna, ainda que não seja lá tão diferente nesse aspecto quando comparado aos seus concorrentes. De qualquer forma, nada te dará a mesma potência e consumo combinados por esse valor, e isso é algo que certamente tem feito o consumidor que talvez não olhasse para produtos chineses antes pensar duas vezes antes de levar um SUV médio tradicional.

GWM Haval H6 PHEV35

Motor dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.499 cm3, comando duplo com variador no escape e admissão, injeção direta, turbo, gasolina + elétricos
Potência e torque combustão: 150 cv e 24,5 kgfm; elétricos: 177 cv e 30,6 kgfm (dianteiro) e 184 cv e 23,7 kgfm (traseiro); combinado: 393 cv e 78,7 kgfm
Transmissão automática DHT de 2 marchas; tração integral
Bateria 35 kWh
Tempo de recarga AC: 6,6 kW; DC: 48 kW
Suspensão McPherson na dianteira; multilink na traseira; rodas de 19" com pneus 235/55
Comprimento e entre-eixos 4.703 mm e 2.738 mm
Altura 1.730 mm
Largura 1.886 mm
Peso 2.070 kg em ordem de marcha
Capacidades porta-malas: 560 litros; tanque: 55 litros
Preço como testado R$ 289.990
Aceleração 0 a 60 km/h: 2,5 s; 0 a 80 km/h: 3,7 s; 0 a 100 km/h: 5,0 s em 78,29 m; 201 metros: 8,47 s a 135,45 km/h
Retomada 40 a 100 km/h (em S): 3,5 s em 71,08 m; 80 a 120 km/h (em S): 3,4 s em 95,15 m
Autonomia elétrica 142 km
Consumo de combustível cidade: 12,2 km/l; estrada: 13,7 km/l (gasolina)
Envie seu flagra! flagra@motor1.com