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Índia: em 6 meses, elétricos terão preço igual ao dos carros a combustão

País já faz BEVs que custam o equivalente a R$ 50 mil e quer liderança mundial

MG Comet EV carga
Foto de: Jason Vogel

O ministro dos Transportes Rodoviários da Índia, Nitin Gadkari, afirmou nesta segunda-feira (6/10) que, em até seis meses, os veículos elétricos deverão custar o mesmo que os modelos a gasolina ou a diesel. Segundo ele, a forte queda no preço das baterias é o principal fator por trás dessa equiparação.

“Quando lançamos os carros elétricos, o preço da bateria era de US$ 150 por quilowatt-hora. Hoje está entre US$ 55 e 65 por kWh. Acredito que, nos próximos quatro a seis meses, carros, scooters e ônibus elétricos terão preços equivalentes aos de veículos a gasolina ou a diesel”, afirmou Gadkari durante evento da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia.

Os elétricos baratinhos da Índia

Os preços das baterias de veículos elétricos vêm caindo no mundo devido a uma combinação de fatores, como a redução no custo de matérias-primas (lítio e níquel, em especial), os ganhos de escala na produção, os avanços tecnológicos (especialmente nas químicas de fosfato de ferro-lítio, ou LFP) e a crescente competição entre fabricantes.

Na Índia, esse movimento é reforçado por políticas de incentivo à produção local, como o programa PLI (Production-Linked Incentive), pela redução de tarifas de importação para insumos, investimentos em fábricas nacionais e pelo aumento da demanda interna por veículos elétricos, que vem impulsionando a eficiência e reduzindo custos em toda a cadeia produtiva.

Tata Tiago EV

Tata Tiago EV

Foto de: Jason Vogel

Em 2024, as vendas de carros elétricos cresceram 20% na Índia, totalizando cerca de 100 mil unidades. O ranking dos BEVs é liderado por modelos como o MG Windsor, o Tata Punch EV e o Tata Tiago EV, todos de produção local. Na conversão direta, esses modelos custam a partir de R$ 84 mil, R$ 60 mil e R$ 50 mil, respectivamente. Ou seja, são elétricos simples e compactos, que já conseguem ser mais baratos que os chineses.

Mas são os veículos elétricos de duas (e-2W) e três rodas (e-3W) que têm dominado o mercado, respondendo por cerca de 5% das vendas totais na Índia. O governo estabeleceu a meta ambiciosa de elevar essa participação para 30% até 2030. A produção dos tradicionais triciclos de passageiros — os famosos tuk-tuks — e de carga vem migrando rapidamente para versões elétricas.

Tata Punch EV (1)

Tata Punch EV 

Foto de: Jason Vogel

Em busca da liderança mundial

O ministro também apresentou sua visão para o setor automotivo indiano, com a meta de tornar a indústria do país a número 1 do mundo em cinco anos. Hoje, a Índia é o quarto maior fabricante de veículos do planeta, segundo dados da Organisation Internationale des Constructeurs d'Automobiles (OICA). Com uma produção de 6 milhões de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus em 2024, o país ficou atrás apenas da China, dos EUA e do Japão (o Brasil ocupou a oitava posição).

Gadkari destacou ainda a necessidade de desenvolver tratores elétricos e mais motores movidos a combustíveis alternativos, como GNC (gás natural comprimido) e isobutanol — um álcool derivado de biomassa que pode substituir parcial ou totalmente a gasolina. O objetivo é reduzir a dependência de importações de diesel, cortar emissões e gerar renda no meio rural.

Tata Cruvv EV

Tata Cruvv EV

Foto de: Jason Vogel

O ministro lembrou que a Índia é o terceiro maior consumidor e importador de petróleo do mundo, reforçando a importância da transição para novas fontes de energia. A Rússia é um de seus principais fornecedores, respondendo por 36% do volume total — fato que serviu de justificativa para o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump sobre produtos indianos.

Gadkari também citou iniciativas como o aumento da renda agrícola por meio da produção local de etanol a partir do milho. Em agosto passado, ele já havia afirmado que aposta no álcool como principal solução a curto prazo para a frota automotiva no país, defendendo a adoção do E27 ou do E30 — como ocorre no Brasil — para reduzir a dependência do petróleo bruto, economizar divisas, gerar “empregos verdes” e cumprir os compromissos climáticos da Índia. 

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