China: Chery QQ estreia na próxima semana para enfrentar o Geely EX2
Agora maior e elétrico, modelo teve 27.319 reservas em apenas três horas
Xangai, 2007. Nossa missão era guiar um Chery QQ, apontado como o carro que abriria caminho para a indústria automobilística chinesa no Brasil. Um exemplar foi emprestado por estudantes de Engenharia, que estranharam tamanho interesse de um jornalista estrangeiro por um modesto subcompacto.
“Por que você quer dirigir o Quiu-Quiu? Só no interior compram esse carro...”
Fato é que o QQ desembarcou no Brasil quatro anos depois — e nunca decolou, nem na primeira nem na segunda geração, que chegou a ser produzida aqui. De lá para cá, a indústria chinesa mudou de patamar, e hoje o grupo Chery vende no Brasil modelos que vão do Tiggo 5X ao Jaecoo 7.
Mas o mundo dá voltas e a Chery lançará na China, no dia 10 de março, uma terceira geração do QQ, surfando na recente onda de sucesso dos subcompactos naquele mercado. No ano passado, o Geely EX2 (vendido localmente como Xingyuan) e o Wuling Hongguang Mini EV lideraram o ranking de emplacamentos.
Antes do lançamento oficial, a Chery abriu a pré-venda com um depósito simbólico de 99 yuans, o equivalente a R$ 75. O resultado veio rápido: 27.319 reservas nas primeiras três horas.
O preço oficial só será anunciado no dia 10, mas as estimativas apontam para uma faixa entre 70 mil e 110 mil yuans (de R$ 53 mil a R$ 83.300, na conversão direta). É exatamente o coração do segmento A0 elétrico, hoje o mais dinâmico da China.
Chery QQ - primeira geração
Os antecessores
Vale explicar que, na China, o nome é QQ3 — e isso não tem nada a ver com o fato de o modelo estar estreando sua terceira geração. O primeiro Chery QQ chegou ao mercado chinês em 2003. Com apenas 3,55 m de comprimento, era uma cópia tão deslavada do sul-coreano Daewoo Matiz que as portas de um eram intercambiáveis no outro sem qualquer alteração...
A General Motors (que era dona da Daewoo) chegou a processar a Chery, mas acabou desistindo da ação por causa de sua parceria com a SAIC, estatal que detinha 20% do capital da Chery Automobile na época do plágio.
A segunda geração foi fabricada no Brasil
A partir de 2006, o nome QQ passou a designar uma família de subcompactos, incluindo até um sedã. Para marcar a diferença, o hatch que deu início à linha passou a ser identificado na China como QQ3.
Sua segunda geração foi lançada no Salão de Xangai de 2013 e chegou a ser produzida na fábrica da Chery em Jacareí (SP). Quando a Caoa assumiu 50% das operações da marca no Brasil, a linha do QQ nacional foi encerrada. Na China, contudo, o modelo continuou em cena até 2022.
Chery QQ3 2026
Cresça e apareça
Agora, o nome QQ — ou melhor, QQ3 — está de volta em um hatch elétrico compacto, mas bem maior que seus antecessores. Com 4,19 metros de comprimento e 2,70 m de entre-eixos, o modelo se posiciona diretamente contra o Geely EX2 (de 4,13 m e 2,65 m). O entre-eixos generoso promete espaço interno comparável ao de sedãs médios a combustão.
Seu visual já não é novidade, pois foi mostrado em prévia no Salão de Chengdu, em agosto do ano passado. O hatch adota uma linguagem descrita pela marca como “geométrica e leve”, com dianteira de grade fechada, grandes faróis ovais e lanternas traseiras arredondadas.
Chery QQ3 2026
O console central é refrigerado e tem espaço para carregamento de celular por indução. O painel traz tela central flutuante de 15,6”, quadro de instrumentos digital e assistência com inteligência artificial comandada por voz. O processamento fica a cargo do chip Snapdragon 8155, hoje comum em modelos chineses mais sofisticados.
O modelo também estreia o sistema de assistência à condução Falcon 500, com navegação assistida em ambiente urbano, estacionamento automatizado em diferentes cenários e recursos de condução semiautônoma.
Como no rival EX2, o motor é traseiro. São duas opções: 78 cv na versão de entrada e 121 cv nas configurações mais caras. As baterias são do tipo LFP (fosfato de ferro-lítio), com capacidades de 29,5 kWh ou 41,3 kWh. A autonomia declarada no otimista ciclo chinês CLTC varia entre 310 km e 420 km, dependendo da versão. Pode-se imaginar números bem menores no mundo real.
Chery QQ3 2026
Na hora certa
O lançamento acontece em meio a uma mudança estrutural no mercado chinês. Depois de anos dominados por sedãs e SUVs grandes, 2025 consolidou a retomada dos compactos. O segmento A0 deve fechar o ano com 1,13 milhão de unidades, alta de 59%, segundo a China Passenger Car Association (CPCA).
Parte dessa virada vem do subsídio de troca mantido pelo governo chinês: cerca de 20 mil yuans (R$ 15 mil) para quem descarta um carro a combustão antigo por um elétrico novo. Como o valor é fixo, pesa proporcionalmente muito mais nos modelos baratos — representando quase 30% do preço em um compacto de 70 mil yuans.
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