Lamborghini Temerario Super Trofeo perde motor elétrico e tração integral para ficar mais rápido
Esportivo terá série especial como os modelos da velha guarda, mas tem um porém
Não é de hoje que até mesmo as montadoras de superesportivos e hipercarros tiveram de se render à eletrificação. Ainda que não de forma completa, Ferrari e Porsche, por exemplo, já começaram a planejar seu futuro para a próxima década. A Lamborghini, porém, acredita que ainda há espaço para um último bólido como nos velhos tempos.
A italiana apresentou uma nova versão de competição do Temerario que vai na contramão da tendência atual de eletrificação. Só tem um porém: ela não tem autorização para rodar nas ruas. O modelo, chamado Temerario Super Trofeo, é exclusivo para as pistas e mantém o motor a combustão pura, sem qualquer assistência elétrica — algo cada vez mais raro no catálogo da Lamborghini.
Embora o Temerario de rua seja híbrido, o novo Super Trofeo representa uma exceção dentro da estratégia da italiana. Segundo a própria fabricante, a eletrificação é uma necessidade imposta pelas regras de emissões cada vez mais rígidas, mas os carros de corrida continuam fiéis à tradição. “Nem todos os carros que usam o emblema do touro furioso combinam um motor de combustão com um motor elétrico”, reforça a empresa.
Seguindo o Temerario GT3, o novo Super Trofeo foi desenvolvido para a série monomarca Lamborghini Super Trofeo, criada em 2009. Diferente dos antigos Gallardo e Huracán Super Trofeo, equipados com motor V10 aspirado, o novo carro usa um V8 biturbo de 641 cv, potência 148 cv inferior à do modelo de rua.
A força é enviada apenas às rodas traseiras por uma transmissão sequencial de seis marchas, que substitui a caixa automática de dupla embreagem e oito velocidades usada no Temerario convencional. O Super Trofeo também compartilha a transmissão Hoer e vários componentes com o GT3, que produz 577 cv, dependendo do ajuste de equilíbrio de desempenho (BOP).
Além do trem de força não eletrificado, o Super Trofeo traz visual mais agressivo, com kit de carroceria redesenhado e uma enorme asa traseira. O interior ainda não foi revelado, mas a italiana afirma que o modelo conta com gaiola de proteção integrada e painel revestido com Dinamica Infinity, material inédito de “camurça não tecida monocomponente PES [poliéster]”.
Outras melhorias incluem controle de tração ajustável de 12 pontos, escapamento Capristo, filtros de ar BMC e suspensão KW. O peso não foi divulgado, mas a versão GT3 pesa 1.300 kg antes dos fluidos, cerca de 390 kg a menos que o carro de produção. A diferença se deve à ausência do sistema híbrido, da tração integral e do isolamento acústico adicional.
Conhecendo o histórico da italiana, uma versão de rua com tração traseira e homologação para uso civil parece inevitável, especialmente porque o CEO Rouven Mohr já deu a entender isso. Assim como o Huracán deu origem ao STO, é provável que o Temerario receba em breve uma versão equivalente.
A marca também trabalha em variantes voltadas ao uso fora de estrada, o que sugere uma possível versão elevada no estilo Sterrato. Antes disso, porém, a prioridade é iniciar as entregas do Temerario híbrido regular. O Super Trofeo, por sua vez, só começará a competir oficialmente na temporada de 2027, preservando o legado dos motores V8 biturbo sem eletrificação da italiana.
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