Anfavea alerta: kits importados de marcas como BYD e Audi ameaçam 69 mil empregos
Entidade projeta colapso industrial e perda de R$ 103 bi caso incentivo a carros "montados" no Brasil seja mantido em 2026
Em seu site oficial, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), alertou, no início desta semana, para o crescente aumento de carros via regime SKD e CKD, onde os modelos vem semi ou completamente montados de outros países, apenas tendo ajustes finais no país.
Segundo a Anfavea, um estudo recente que analisou os movimentos fabris em 2025 indicou crescimento desta modalidade, em especial de fabricantes chineses, caso da BYD, que assumiu a antiga fábrica da Ford, na cidade Camaçari (BA), produzindo por lá as linhas Dolphin Mini, King e Song Pro no regime SKD.
Tal movimento, hoje, permite a chinesa obter os mesmos incentivos em cotas de importação que montadoras com processos bem mais localizados, como VW, Chevrolet, Fiat ou Toyota. A medida valerá até o meio do ano, podendo ser prorrogada por mais algum tempo. A entidade é contra, rebatendo que o avanço de modelos importados e montados via kit tornarão os complexos industriais no Brasil menos complexos, eliminando toda uma cadeia de fornecedores locais.
Impacto no emprego e no PIB
A última projeção da Anfavea indica que, caso a produção geral siga o mesmo caminho, serão eliminados 69 mil empregos diretos, o equivalente a 75% da força de trabalho atual. Já entre os indiretos, que este número saltaria para mais 227 mil postos.
O impacto causaria um colapso nas contas públicas, já que hoje a indústria automotiva é responsável por cerca de 20% do PIB industrial brasileiro, gerando 1,3 milhão de empregos.
Benefício é válido para 15 marcas
Além da BYD, que talvez seja o caso mais famoso, outras 14 marcas também conseguiram isenção de impostos de importação graças aos kits. Dentre elas, há tradicionais como a alemã Audi, que tem a linha Q3 trazida praticamente pronta de fora, mas com ajustes finais feitos São José dos Pinhais (PR).
O caso da GWM é um pouco mais complexo do que suas conterrâneas, já que importa peça-por-peça partes da China, que são montados em Iracemápolis (SP), mas utilizam o sistema de pintura herdado da Mercedes-Benz, antiga proprietária da fábrica, o que geraria atividade industrial de fato, nas palavras de Igor Calvet.
O executivo, aliás, é enfático ao dizer que não é contra o incentivo, desde que haja retorno de ''valor nacional'' - ou seja, densidade industrial de fato, que vá substituindo, ainda que aos poucos, partes e processos inicialmente feitos no exterior.
Ele argumenta ainda que os programas que apoiam a indústria hoje, como o Mover e o Rota 2030, frutos de um investimento de R$ 190 bilhões, podem não ter o efeito que se espera com a queda de competitividade dos carros feitos por aqui.
Fonte: Agência Brasil
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