Opinião: problema do motorista brasileiro vai além da baliza
Bastam poucas horas no trânsito, como motorista ou passageiro, para ver que o problema é mais profundo
Desde o fim de 2025, é possível tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) com etapas facilitadas e, mais recentemente, uma prova prática mais permissiva, como o fim da obrigação da temida baliza. Com isso, os custos foram reduzidos consideravelmente e uma parcela maior da população terá acesso ao documento. Mas será que isso é totalmente positivo para o nosso trânsito?
Quando fiz 18 anos, já dirigia muito por influência de amigos mais velhos. Na autoescola, principalmente nas aulas práticas, ficou muito claro que eu precisava só aprender a passar na prova. Vi isso se repetir anos depois, quando meus irmãos e minha esposa chegaram com a CNH em mãos, mas com zero noção do que acontecia nas ruas de verdade.
Bastam poucas horas no trânsito de grandes cidades, como São Paulo (SP), seja como motorista ou passageiro, para ver que essa é a realidade de boa parte das pessoas. Erros, riscos e acidentes seriam totalmente evitáveis se, na hora de tirar a habilitação, as aulas fossem um pouco além do básico, focando em situações comuns, como chuva e a capacidade de prevenir acidentes com ações simples.
Desde a posição ao dirigir até o fator atenção, já presenciei motoristas de aplicativo cometendo erros extremamente prejudiciais, sem falar no que vemos diariamente. Quantos acidentes seriam evitados com esse preparo a mais (e até uma exigência maior na prova) dos novos condutores? Em termos financeiros, quantos atendimentos hospitalares seriam poupados todos os anos? E, indo além, quantas vidas seriam salvas?
Não estou condenando o acesso à CNH, mas sim a falta de preparo crônica. Meus irmãos e minha esposa tiveram acesso a aulas "pós-CNH", que realmente mostraram como conduzir nas ruas, mas é uma porcentagem pequena da população que pode pagar por isso. O que queremos: mais motoristas em volume ou em qualidade? Os dois não são possíveis?
O que me levou a pensar sobre isso? Um jovem de 22 anos que perdeu a vida em um acidente evitável perto de casa. A alta velocidade, outro fator esquecido nas aulas, somada à falta de preparo, ceifou uma vida jovem. Os carros ficaram mais potentes, mas o preparo (ou a falta dele) dos motoristas continua sendo o mesmo... ou está ainda pior.
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