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Curiosa Yamaha de 3 rodas ganha airbag e fica mais próxima de um carro

Tricity 300, scooter inclinável da marca, chega à linha 2026 com um item importante de segurança, mas funciona em motos?

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06:38

Nem é preciso dizer que as scooters são a espinha dorsal do motociclismo. Não são as máquinas mais rápidas nem as mais chamativas nas ruas, mas não param de crescer em vendas no Brasil por conta de suia praticidade. Elas transportam mais gente do que quase qualquer outro tipo de veículo de duas rodas no planeta.

Câmbio automático, chassi com plataforma (step-through) e excelente economia de combustível fizeram delas a escolha padrão de quem se desloca diariamente. Essa fórmula, no essencial, pouco mudou.

2026 Yamaha Tricity
Foto: Yamaha

O que mudou foi o quanto as fabricantes passaram a levar a sério o segmento de mobilidade urbana. O que antes eram veículos simples para o dia a dia está virando máquinas surpreendentemente sofisticadas. Já vimos controle de tração, conectividade com smartphone e até ABS com atuação em inclinação (“cornering ABS”) chegarem às scooters. Agora, a Yamaha está levando isso a um terreno que, sinceramente, parece até meio ousado.

A empresa está trabalhando com a gigante sueca de segurança Autoliv para colocar um airbag em uma scooter. Sim. Um airbag. Em uma scooter.

O modelo em questão é a Yamaha Tricity 300, que já era uma das motos mais diferentes da linha da Yamaha. Se você nunca viu uma, a Tricity é uma scooter de três rodas inclinável, com duas rodas dianteiras que basculam juntas nas curvas. A ideia é simples: dois pneus significa mais contato de cada pneu dianteiro com o solo gerando mais aderência e estabilidade, especialmente em piso molhado ou asfalto ruim.

O conceito de três rodas já existe há um tempo. A Yamaha lançou a Tricity 125 em 2014, e a maior Tricity 300 veio anos depois como uma proposta mais séria para deslocamentos urbanos. Ela usa um motor monocilíndrico de 292 cm³ e fica em um meio-termo entre uma scooter tradicional e uma pequena touring em termos de capacidade. Agora, a Yamaha está pegando essa base já pouco convencional e tornando tudo ainda mais fora do comum.

2026 Yamaha Tricity
Foto: Yamaha

Em parceria com a Autoliv, a maior fornecedora de segurança automotiva do mundo, a Yamaha desenvolveu um sistema de airbag especificamente projetado para a Tricity 300. A Autoliv é a mesma empresa que produz milhões de airbags e sistemas de cinto de segurança para carros todos os anos. Se você já dirigiu um veículo moderno, há boas chances de a tecnologia deles estar ajudando a proteger você.

A proposta aqui é levar esse mesmo raciocínio de segurança para o universo das motos — mas não em uma touring de luxo gigante. Em vez disso, a tecnologia está sendo aplicada a um veículo de uso diário. O módulo do airbag fica integrado ao painel frontal da scooter. Em uma colisão frontal, o sistema infla para cima, na direção do piloto, para ajudar a absorver energia cinética e reduzir o impacto contra o guidão ou contra o objeto com o qual o piloto está prestes a se chocar.

Claro que isso levanta algumas questões — e a principal é evidente: airbags em motos funcionam do mesmo jeito que em carros? A resposta curta é: não exatamente.

Carros são ambientes mais controlados. Os ocupantes ficam contidos pelo cinto, cercados por uma estrutura rígida, e os airbags se abrem em direções previsíveis. Motos são mais caóticas em comparação. O piloto pode se separar da moto, capotar, escorregar ou ser arremessado por cima do guidão, dependendo do tipo de acidente. Por isso, a segurança sobre duas rodas tradicionalmente foca mais em equipamentos de proteção. Um bom capacete, jaqueta, luvas, botas e calça de pilotagem ainda fazem muito mais para reduzir o risco de lesões do que qualquer tecnologia isolada instalada na moto.

2026 Yamaha Tricity
Foto: Yamaha

Jaquetas e coletes com airbag são um ótimo exemplo disso. Marcas como Alpinestars e Dainese já mostraram que sistemas vestíveis de airbag podem reduzir significativamente lesões na parte superior do corpo, porque o airbag se move junto com o piloto.

Então, onde entra um airbag instalado na moto nesse cenário? Pense menos como substituto do equipamento e mais como uma camada extra de proteção em situações bem específicas. Em um impacto frontal reto, em que o piloto normalmente bateria no guidão ou na frente da moto, um airbag pode ajudar a absorver parte dessa energia. Não é uma solução mágica. Mas, se conseguir reduzir nem que seja um pouco a gravidade das lesões em um dos tipos de acidente mais comuns no uso urbano, isso já é relevante.

O que torna o projeto da Yamaha interessante é a plataforma à qual ele está ligado. A Tricity já foi pensada em torno de estabilidade e sensação de controle, especialmente para pilotos mais novos ou para quem usa a moto o ano inteiro. Adicionar mais uma camada de tecnologia de segurança combina bem com essa filosofia. E também aponta para algo maior acontecendo na indústria.

Durante décadas, tecnologias avançadas de segurança ficaram quase restritas a motos topo de linha, que custavam tanto quanto carros pequenos. Agora, as fabricantes começam a levar essas ideias para segmentos mais práticos. O uso urbano é onde está o maior número de pilotos — e é aí que melhorias de segurança podem, de fato, fazer a maior diferença.

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