Não é só o público: CEO da VW também não gosta de carros sem botões
Thomas Schäfer admitiu que não entende por que alguém gostaria dos comandos capacitivos no lugar de botões físicos
A alemã Volkswagen já chegou a oferecer no mercado alguns dos melhores interiores quando o assunto são marcas generalistas. Mas desde a virada da década - e, especialmente - com o lançamento do Golf de oitava geração, o que se viu foi um grande aceno ao minimalismo, focando em comandos principalmente na tela da multimídia.
Alguns produtos, como o elétrico ID.3, foram além e retiraram até botões de uso prático, como os comandos dos vidros elétricos traseiros. Mas o que realmente incomodou parte do público foi a adoção de comandos touch no volante, tendo sido inclusive alvo de ações em alguns mercados pela facilidade em que são acionados em simples manobras de manobra.
Volkswagen ID. Polo GTI
Mas a montadora parece ter ouvido seus consumidores, já tendo anunciado que eliminará os comandos touch por botões de verdade no volante e também no console em seus próximos elétricos. O primeiro produto já feito nessa nova filosofia é o ID.Polo, a alternativa elétrica ao conhecido hatch compacto.
Nem mesmo o CEO da alemã, Thomas Schäfer, é fã dos interiores minimalistas. Recentemente, o executivo conversou com o portal Top Gear e admitiu que não vê razão para o cliente desejar essa interface:
"Não entendo por que alguém iria querer seletores sensíveis ao toque".
ID.Polo será volta às origens
Aprendendo a lição com a linha ID atual, o primeiro VW elétrico a contar com um nome histórico também será responsável pela volta dos botões físicos, ao menos para o que é essencial. No ID.Polo, que chega em breve, há uma fileira dedicada de botões físicos no console central, complementada por um botão giratório logo abaixo.
Além disso, o volante traz botões tradicionais, sem qualquer comando tátil. Um olhar mais atento à porta do motorista revela quatro interruptores de vidro e outros controles físicos que a VW utilizou por décadas antes de abraçar a onda minimalista.
Sobre o motivo dessa mudança drástica no passado, raramente um executivo admite que a causa foi o corte de custos. No entanto, o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, admitiu recentemente que botões táteis são 50% mais baratos de produzir. No caso da VW, Schäfer afirmou que "havia um espírito de design e utilização inspirado no iPhone". Já o chefe de P&D, Kai Grünitz, abordou o tema por outro ângulo:
"Todo Volkswagen foi feito pensando também na diretoria e, especialmente, o CEO. Felizmente, [Ferdinand] Piëch e [Martin] Winterkorn tinham sensibilidade para o que os clientes queriam."
Ou seja, trocando em miúdos, o chefe de desenvolvimento técnico da alemã sugeriu que o ex-CEO, Herbert Diess, errou o alvo em relação às preferências dos consumidores.
Não é só no interior
Além do painel, a atual diretoria da Volkswagen já comunicou às equipes de desenvolvimento que todos os novos produtos devem ter também maçanetas físicas. A mudança não é só por rejeição de público. Autoridades chinesas e europeias planejam punir, em breve, modelos com maçanetas totalmente digitais.
A medida surge após preocupações relacionadas à dificuldade de abrir portas em determinados cenários de acidente, especialmente em veículos que utilizam maçanetas elétricas ou embutidas. Pela nova regulamentação, cada porta lateral - com exceção da tampa traseira - deverá ter uma maçaneta externa com acionamento mecânico funcional em emergências.
Será assim com os ID.Polo e ID.Cross, com as renovações do ID.3 e do ID.4 (que passará a se chamar ID.Tiguan) e também com o futuro citycar da empresa, ainda sem nome oficial, mas revelado através do conceito ID.Every1, de 2025.
Teriam as montadoras, no geral, passado do limite no minimalismo? Ao que tudo indica, sim. Essas decisões causaram mais danos do que benefícios. A VW promete retornar às origens, e esperamos que isso inclua também a melhoria dos materiais em outros produtos do restante do grupo, como a linha Audi.
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