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Lançado há 11 anos, Jeep Renegade já viveu várias fases; relembre

Símbolo da união entre os italianos da Fiat e os norte-americanos da Jeep, SUV tentou unir todas as tribos e continua sendo um sucesso

Mesmo diminuto, primeiro Renegade tinha versão diesel e 4x4
Foto de: Reprodução

O ano de 2015 marcou a consolidação dos SUVs compactos no Brasil. Até então dominada por Ford EcoSport e Renault Duster, a categoria viveu um grande "boom" nos anos seguintes. Mas um carro em especial, virou o símbolo dessa virada: o Jeep Renegade.

Marca de nicho no país até aquele momento, a norte-americana especializada em utilitários pesados - como a linha Cherokee - aproveitou sua nova fase global para unificar motores e plataformas com a italiana Fiat. Dessa união nasceu o projeto que conhecemos em 2014.

Sendo um modelo bem compacto, o Renegade era diferente de tudo o que a marca fazia, ainda que mantivesse tradições icônicas como a grade de sete fendas. Ele também herdou a capacidade de rodar por trilhas como a de Rubicon, na Califórnia (EUA), o que lhe rendeu o selo Trail Rated.

Apesar de estrategicamente pensado para diversos mercados, o modelo não foi um sucesso na terra natal da Jeep, onde os consumidores o consideraram pequeno e "europeu" demais. Foi na América Latina - especialmente no Brasil - que o SUV encontrou seu verdadeiro espaço.

Marca apostava forte na customização, oferecendo até teto solar desde a versão de entrada, Sport

Marca apostava forte na customização, oferecendo até teto solar desde a versão de entrada, Sport

Foto de: Reprodução

Muitos fatores contribuíram para esse êxito. O principal deles foi a enorme presença da Fiat na região que, com a criação do FCA Group, ficou responsável pela tropicalização do modelo e de seu irmão maior, o Compass. O Renegade já nasceu por aqui, em 2015, projetado para encarar as esburacadas ruas brasileiras.

Em sua primeira fase, o SUV compartilhava motores com a linha italiana. As versões de base, como Sport e Longitude, contavam com o 1.8 16v e.TorQ - o mesmo de Palio, Punto e Bravo - o que facilitava o custo de manutenção. O ponto fraco era a performance: os 132 cv e 19,1 kgfm de torque eram pouco para mover os 1.393 kg do utilitário na época.

Sob o capô, o criticado 1.8 16v E.torq

Sob o capô, o criticado 1.8 16v e.torQ

Foto de: Reprodução

Quase como um "Yin e Yang", o SUV também estreou com uma versão a diesel, algo inédito entre os compactos. Com o motor Pratola Serra, o Renegade mudava de comportamento: era mais alto, trazia tração 4x4 e entregava 170 cv com 35,7 kgfm de torque.

Jeep Renegade 2016

SUV chegou a ter teto solar com folha dupla 

Opcionais para todos os gostos

O SUV também chamou a atenção pelos itens que oferecia como opcionais para as versões mais caras, na época Longitude e Trailhawk (a Limited surgiu apenas em 2017). Eram tecnologias até então restritas a segmentos superiores.

Para o Renegade Longitude (vendido por R$ 80.990 com motor 1.8 e R$ 109.990 no diesel), o "Pacote Tecnológico I" (R$ 8.000) adicionava alerta de ponto cego, assistente de estacionamento automático, tomada de 127 V no banco traseiro, retrovisor com rebatimento elétrico e até uma lanterna removível no porta-malas. O Trailhawk já trazia a lanterna como item de série.

A linha 2015 oferecia ainda um curioso teto solar de duas partes em fibra. Além da abertura tradicional, as peças podiam ser removidas e guardadas no porta-malas - era o chamado MySky, vendido por R$ 8.500. Sistema de som assinado pela Beats Audio e banco do motorista com ajustes elétricos também faziam parte da lista de desejos.

Com o tempo, a linha passou por simplificações e ajustes pontuais, como o aumento do porta-malas, um novo sistema de abertura da tampa e modificações no propulsor 1.8 para melhorar a economia.

Na dianteira, segundo Renegade Limited perdia boa parte dos cromados

Na dianteira, segundo Renegade Limited perdia boa parte dos cromados

Foto de: Reprodução

Já perto da virada da década, na linha 2019, o modelo recebeu sua primeira mudança visual de fato, com elementos do similar europeu. As motorizações foram mantidas, mas o novo para-choque garantiu melhores ângulos de ataque, enquanto a clássica grade ficou mais baixa e os faróis passaram a contar com LEDs.

Linha 2022 trouxe motor 1.3 turbo

Após estrear no Compass e na Fiat Toro, o propulsor 1.3 T270 chegou ao Renegade em 2022, junto de uma nova mudança leve no visual. O motor resolveu boa parte das críticas do público sobre o desempenho do SUV, que precisava de adaptação aos novos concorrentes turbinados da virada da década. A mudança, no entanto, marcou o fim da oferta das versões diesel.

Desde então, o SUV é sempre oferecido com este propulsor, que entregou 185 cv e 27,5 kgfm de torque em seus primeiros anos. Para suprir a lacuna do antigo turbodiesel, a Jeep passou a oferecer uma opção de tração integral combinada ao motor flex.

Na terceria fase, painel passou a ser digital de 7, além de contar com novo volante

Na terceira fase, painel passou a ser digital de 7, além de contar com novo volante

Fotos de: Reprodução
Linha foi simplificada ganhando novas versões

Na traseira, mudanças se resumiram às lanternas 

Fotos de: Reprodução

Esta configuração 4x4 traz modos de condução específicos - Snow (neve), Sand/Mud (areia/lama), Rock (pedras, exclusivo da Trailhawk), Sport e Auto. O conjunto conta com uma transmissão automática de nove marchas e conversor de torque.

Pouco mudou nos anos seguintes, já que o Renegade continuou bom de loja com alterações pontuais em cores e equipamentos. A última modificação desta fase ocorreu na linha 2026, com a chegada da versão Sahara e a redução da potência do motor 1.3 T270, que entrega, desde então, 176 cv e 27,5 kgfm de torque.

Renegade 2027 chegou com MHEV e novo interior

A última atualização do modelo, revelada em março de 2026, trouxe as maiores mudanças do SUV até agora. O projeto incorpora o conceito visual dos novos Jeep, em especial do novo Cherokee dos EUA e também do Commander. Não se trata de uma nova geração, algo previsto apenas para o fim da década.

Ao todo, são quatro versões diferentes que mantêm os nomes conhecidos. A configuração Sport deixa de ser oferecida para abrir espaço ao lançamento do inédito Avenger nos próximos meses. O novo SUV terá a missão de ser a porta de entrada da Jeep no país, o que eleva o posicionamento do Renegade dentro da gama.

Entre as novidades para todas as versões, destaca-se o painel totalmente renovado. Ele não é exatamente o mesmo de Compass e Commander, mas bebe muito da fonte de ambos. A central multimídia renovada e agora em posição destacada - sempre de 10,1'' - é um bom exemplo disso.

Uma baixa na mudança é a porção macia ao toque dos plásticos, que agora conta apenas com partes em tecido na região central, com cores que variam conforme a versão. Por outro lado, o modelo passa a contar, pela primeira vez, com saída de ar dedicada para os ocupantes traseiros no console central.

Jeep Renegade 1.3 T270 4X4 Willys 2027
Foto de: Jeep

Dentre as versões restantes, somente a de entrada, Altitude, não traz o sistema MHEV (híbrido leve) para manter o preço competitivo. Segundo a Jeep, o primeiro lote de 3.000 unidades do Renegade 2027 nesta versão custa R$ 129.990 - valor bem abaixo dos R$ 147.990 cobrados pela linha 2026. Após o fim da oferta inicial, o preço sobe para R$ 141.990.

Nas versões Longitude (R$ 158.690), que teve redução de R$ 7 mil, e na Sahara (R$ 175.990), o SUV ganha o sistema Bio-Hybrid um pouco mais complexo do que o utilizado por Fiat e Peugeot. Assim, no lugar do sistema de 12V dos modelos mais baratos, o Jeep conta com 48V.

O conjunto alivia o propulsor flex em situações de maior exigência, como arrancadas, e garante isenção parcial de IPVA em alguns estados, além de livrar o condutor do rodízio na cidade de São Paulo.

Ainda vende bem

No acumulado histórico, o modelo já superou a marca de 577 mil emplacamentos desde que chegou ao mercado. Não é pouca coisa. E, embora não ostente o mesmo fôlego dos seus primeiros anos, quando figurava no topo do ranking geral, o SUV mostra que ainda tem lenha para queimar.

O interior renovado e a eletrificação - ainda que do tipo simples - também devem ajudar a segurar as pontas até que uma nova geração chegue ao mercado no fim da década. Resta saber se o fogo amigo do Avenger, que estreia ainda neste ano, prejudicará o desempenho do veterano.

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