Avaliação BMW X5 xDrive50e PHEV: o primeiro plug-in nacional não é chinês
Ao mesmo tempo, SUV é o carro mais caro produzido no Brasil, por R$ 840 mil
Enquanto as chinesas brigam para produzir o primeiro carro híbrido plug-in no Brasil, a BMW fez isso de forma silenciosa. Nome forte e clássico da marca alemã, o X5 xDrive50e tem RG brasileiro desde o fim de 2024 e é o primeiro eletrificado a sair da linha de Araquari (SC), uma amostra do que a planta pode fazer em um futuro próximo.
Hoje, o BMW X5 é vendido no Brasil em duas versões, ambas PHEV. Este é o BMW X5 xDrive50e M Sport, o topo de linha que custa R$ 838.950, preço mais alto de um carro produzido no Brasil até o momento, mas que carrega muita tecnologia, boa autonomia elétrica e potência combinada de 489 cv. Nem preciso dizer o quanto é superior a um chinês, certo?
Quando tudo ainda era mato
O BMW X5 foi um dos primeiros SUVs de marca premium e se aproveitou até de tecnologias da Land Rover em sua primeira geração, de 1999. Esta é a quarta geração, de 2018, já sobre a plataforma CLAR, amplamente utilizada pela BMW enquanto a Neue Klasse não chega - previsto para um novo X5 em 2026 -, o que não desclassifica o atual X5, principalmente esta versão plug-in.
Ou seja, é um nome forte e já conceituado no mercado premium. Em seu segmento, até maio, é o segundo mais vendido, o que explica a decisão da BMW em montá-lo em Araquari (SC) e, com a tecnologia híbrida, reforça a capacidade da sua planta com a eletrificação. Chegou com uma reestilização aplicada na Europa no começo de 2023.
O BMW X5 é imponente, não só pelos 4.935 mm de comprimento, mas pelo visual com os faróis finos e a grande grade dianteira, que no X5, não é exagerada quanto em outros carros da marca - se quiser se destacar, há iluminação em LEDs para esta grade. A versão M Sport tem estilo mais esportivo, com para-choques exclusivos, e rodas de 21" que deixam as pinças azuis em destaque. A tomada de recarga do sistema híbrido está no para-lama dianteiro esquerdo.
As linhas gerais da carroceria não são novidade, mas é um carro sóbrio no geral, sem exageros, o que fará a diferença em um envelhecimento mais tranquilo do X5 mesmo quando trocar de geração. Ao mesmo tempo, de longe, dá para o identificar como um BMW assinado pela divisão M em detalhes, como o formato da terceira janela lateral e as duas saídas de escape, uma em cada extremidade.
O interior é bem característico dessa geração da BMW. Junto com a boa escolha de materiais, com couro e outros pontos suaves ao toque, temos uma mistura de conceitos, onde há duas telas (12,3" para o painel e 14,9" para o sistema multimídia), onde a segunda guarda diversas configurações do carro e sistema de som, assinado pela Harman Kardon, enquanto o console central mantém comandos físicos para diversos atalhos, inclusive da suspensão a ar adaptativa. Perto das curiosas saídas de ar-condicionado, o botão físico para o volume do som, algo em extinção.
O pé na água antes de um elétrico
Os SUVs híbridos plug-in são usados pelas marcas premium como uma amostra antes do seu cliente embarcar nos elétricos, justamente para entender o funcionamento do sistema, mas sem a necessidade completa de viver na dependência de carregadores. No X5 PHEV, a vida elétrica dura bastante e aproveitou o aprendizado com a linha i para evoluir com o passar dos anos.
Como principal componente, está um conhecido: o 6-cilindros em linha da BMW, 3.0, com turbo único de duplo fluxo, variador de fase e abertura nos comandos de válvulas, ou B58B30M2 aos mais íntimos. Sozinho, são 313 cv e 45,9 kgfm, além de um ronco característico desse já conhecido motor que encanta quem gosta dos BMW. Enquanto algumas marcas insistem em motores aspirados ou menores nos PHEV, a BMW deixou o 6-cilindros ali para quando precisar.
Na transmissão, a mágica: integrado no câmbio automático de 8 marchas, um motor elétrico de 197 cv e 28,6 kgfm que de aproveita da relação para, com a tração integral, movimentar o X5 sozinho ou em conjunto com o 3.0 turbo, que também é capaz de recarregar a bateria de 29,5 kWh (25,7 kWh úteis) quando não alimentada por fonte externa a até 7,4 kW - esta, uma potência relativamente baixa comparada a outros PHEV. Por completo, o X5 xDrive50e tem 489 cv e 71,4 kgfm.
Mesmo não sendo um projeto novo, esta geração do X5 ainda carrega muito refinamento comparado até a concorrentes mais novos. Quando falamos no sistema híbrido, dá para travar o carro em modo EV e, diferente de outros PHEV, ele vai até o final da bateria sem ligar o 6-cilindros, além de aproveitar a relação de marchas para ser mais eficiente até em velocidades mais altas.
Ele pode jogar até 45,9 kgfm sozinho nas saídas, justamente para tirar os 2.420 kg do SUV da imobilidade sem precisar apelar ao 3.0, e dá para perceber a troca de marchas que reduz a rotação deste motor elétrico para melhorar sua eficiência. No meu uso, maior parte urbano, cheguei aos 100 km em modo elétrico sem falta de força até para ultrapassagens ou arrancadas mais rápidas em semáforos.
Em modo híbrido, o 6-cilindros tem o auxilio do elétrico nas arrancadas, então nem se sente o turbolag, e bastante elástico, o motor a combustão entrega mais potência ainda no conjunto se apertar o acelerador, em uma curva linear entre torque e potência. As trocas de marchas podem ser suaves, mas dão bons trancos no modo Sport, como manda a tradição de um BMW.
Impressiona o silêncio a bordo e o conforto da suspensão adaptativa, mas ainda tem o toque dinâmico BMW, principalmente quando a altura é reduzida e os amortecedores ganham carga, aliado ao conjunto de diferenciais e vetorizador de torque. Para aproveitar os quase 500 cv, nem parece um SUV tão grande e pesado, mostrando o valor da engenharia alemã, não apenas números, afinado para agradar os mais exigentes compradores.
Preço ou valor?
Por quase R$ 900 mil, não tinha como esperar pouco do BMW X5. É um preço alto, mas seu valor está na engenharia e refinamento em todo o conjunto, seja plataforma, suspensão, tecnologias a bordo ou o sistema híbrido. Dá para rodar sem gastar gasolina por um bom alcance, principalmente urbano, e ter a força do 6-cilindros na estrada para quem ainda não se vê pronto para procurar carregadores além de sua própria casa.
Ao mesmo tempo, seu conforto a bordo é digno da escola alemã. Ar-condicionado de quatro zonas, portas com soft-close, bastante espaço interno e porta-malas com 500 litros de abertura dupla elétrica, tudo é apenas uma amostra do que ele faz, inclusive em um pacote de assistentes de condução bastante moderno e bem calibrado para o motorista aproveitar o conforto e viagens mais longas sem problemas.
No fim do dia, ainda há espaço para produtos que não são chineses (ainda bem!). Para quem procura marca, refinamento e tradição, há opções como esta, uma escola alemã tradicional em um carro com diversos usos, luxo e pacote tecnológico extremamente competente. Basta ter esse dinheiro na conta para aproveitar o que há de bom pelas ruas.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
BMW X5 xDrive50e
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