Avaliação Fiat Pulse Drive 1.3 manual 2026: na ponta do lápis - e do pé esquerdo
SUV mais barato da marca até parece que não faz sentido, mas degrau para o automático é tão alto que ainda há mercado para ele
Essa eu tive que perguntar para a Fiat: por que ainda existe um Pulse manual em pleno 2026, quando o mercado claramente tem mostrado cada vez mais preferência pelos câmbios automáticos? A supresa veio na resposta. A marca confirmou que cerca de 16% de todos os Pulse vendidos são equipados com uma transmissão que obriga o motorista a trocar as próprias marchas.
E tem mais: o Fiat Pulse Drive 1.3 manual 2026 custa R$ 103.990. Se você quiser a mesma configuração com o câmbio automático CVT, vai pagar R$ 115.990, ou R$ 12 mil a mais. É uma diferença que banca IPVA e seguro por uns dois anos. Mesmo olhando para um rival como o Volkswagen Tera 1.0 MPI manual, de R$ 107.190, o carro da Fiat tem a vantagem de não ser 1.0, nem tricilíndrico, nem multiválvulas. Para um comprador conservador, que vai olhar o que sobrará do carro daqui 10 anos, são palavras mágicas. Talvez fazer a conta na ponta do lápis te leve a andar na ponta do pé, o esquerdo que opera a embreagem.
Galeria: Avaliação Fiat Pulse Drive 1.3 MT 2026
Terá resposta ao Tera
Há um ano, o Volkswagen Tera causou impacto no mercado ao trazer justamente a versão 1.0 aspirada com câmbio manual por menos de R$ 100 mil. A resposta da Fiat foi trazer de volta ao mundo dos vivos a versão Drive 1.3 manual do Pulse. A linha 2026 do SUV da italiana teve pequenas atualizações no visual que, de tão pequenas e tão abordadas aqui no Motor1.com Brasil, vou deixar vocês olharem a galeria para tentar encontrar as alterações.
O pacote de equipamentos de série é... honesto? Interrogação intencional. Alguns equipamentos são bem-vindos, como o ar-condicionado automático, controle de cruzeiro (convencional), ajuste de altura para o banco do motorista e cinto de segurança, regulagem de altura para o volante (sem ajuste de profundidade) e 4 airbags. Mas só.
A multimídia traz tela de 8,4" com Android Auto e Apple CarPlay sem fios. Ou seja, é o pacotinho do dia-a-dia, sem tirar nem por. Pelo preço, a única coisa que realmente senti falta foi o painel de instrumentos digital. Por mais que eu prefira os instrumentos analógicos, a telinha de 3,5" para o computador de bordo data muito o carro.
Você pode opcionalmente dar mais dinheiro pra Fiat em duas instâncias: querer qualquer cor de pintura que não seja a preta e o pacote opcional Pack Plus. O Vermelho Montecarlo custa R$ 990 adicionais, enquanto o pacote custa R$ 2.990, acrescentando rodas de liga leve, sensor de estacionamento traseiro e câmera de ré.
Para os padrões atuais, o motor do Fiat Pulse Drive, seja manual ou automático, é dos mais simples. Quatro-cilindros, 1.3, aspirado, 8 válvulas e comando único acionado por corrente. Sem turbo, sem truque, sem borracha em banho de óleo. E o câmbio é mecânico de cinco marchas, sem segredos.
Esse propulsor consegue entregar 107 cv de potência e 13,7 kgfm de torque quando abastecido com etanol. Com gasolina, os números caem para 98 cv e 13,2 kgfm. O consumo urbano declarado é de 9 km/l com etanol e 12,6 km/l com gasolina. Na estrada, respectivamente, são 10,3 km/l e 14,5 km/l.
Nas medidas, o Fiat Pulse Drive manual tem 4.095 mm de comprimento, 1.777 mm de largura, 1.550 mm de altura e 2.532 mm. O bagageiro tem capacidade para levar até 320 litros e o carro em si pesa 1.140 kg.
Relembrando os Fiat das antigas
A fórmula do Firefly 1.3 é algo que a Fiat conhece há décadas. Para quem andou de Uno, sabe como tocar um lendário FIASA 1300. E o Pulse remete a esses tempos em que andar a 4.000 rpm era a receita para o motor cantar e ser feliz. A diferença é que o FIASA se arrastava em baixas rotações, o Firefly se aproveita de umas 3 décadas a mais de engenharia para ser mais cômodo no anda-e-para do trânsito, mas mantém o ímpeto de trabalhar em altos regimes.
E essa é uma característica que só é melhor aproveitada justamente por ser um carro com câmbio manual. E nem é uma caixa de transmissão das melhores. Os engates são moles e se você quiser trocar de marchas rápido, elas não entram. Mas a operação é leve e, como apenas umas três pessoas no Brasil devem se preocupar com precisão de engate de marcha, a facilidade de operação é o quesito que um câmbio manual precisa ir bem.
O visual do Pulse já é bem conhecido. O bom é que é uma silhueta facilmente reconhecida, o ruim é que ficou "sem novidade". Numa versão Drive, de olho no racional, cai bem. Não faço questão de ser tão grande por fora ao mesmo tempo em que oferece apenas um espaço justo no banco traseiro e um porta-malas de hatch. Carro que parece grande tem que ser grande por dentro também. Um Geely EX2, elétrico, acrescenta R$ 20 mil ao preço, mas resolve esses dois problemas. Ainda que o acabamento seja no padrão Fiat de entrada, com muitos plásticos, pelo menos tem um design agradável e que ainda não envelheceu.
Algo que se sai bem sem poréns, é a estabilidade do carro. A assistência de direção tem um progressividade imperceptível. Você sai da vaga com praticamente um dedo de esforço e, na estrada, tem um volante firme. Os tempos de Fiat molengão acabaram com a primeira geração do Palio. Desde Argo e Cronos, por consequência o Pulse, tem um acerto de suspensão que é, ouso dizer, parecido com o de um Volkswagen, mais puxado para o firme. Isso é bom, afinal o Pulse tem o centro de gravidade mais alto que o de um hatch convencional.
No uso diário, a maioria das críticas some. O Pulse tem espaço suficiente, equipamentos o suficiente, desempenho o suficiente e mantém o preço de um carro de entrada. O Tera pode ter o ar de novidade, mas um Pulse estacionado de seu lado faz o VW parecer um Polo. E essa impressão de tamanho não deveria, mas pesa na compra.
Falando em pesar na compra...
O Fiat Pulse Drive MT 2026 é um carro "ok", como seu preço. Não há emoção na sua compra, como deveria ser no caso de um carro de entrada. Ainda oferecer um câmbio manual é tática de meio século: subterfúgio para ter uma opção consideravelmente mais barata que a automática. E, racional por racional, o Pulse ainda é 1.3, o Tera é 1.0. O Fiat tem razão de estar aqui e não é a toa que a quantidade de compradores que ainda opta pelo câmbio manual é relativamente grande.
Fiat Pulse Drive 1.3 MT 2026
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