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Teste Hyundai Creta Limited 2026: intermediário que resolve?

Além do pacote bom de equipamentos, consumo do 1.0 turbo surpreendeu, mas preço é problema

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11:41

Estamos vendo SUVs compactos em versões topo de linha ultrapassarem os R$ 200 mil. Neste momento, versões intermediárias ganham importância ao não afastar o comprador das concessionárias, mas para isso acontecer com maior segurança, o pacote de equipamentos não pode desapontar, ao mesmo tempo em que o preço precisa ainda atrair. Difícil, não?

O Hyundai Creta Limited 2026 é isso. Com o Ultimate 1.6 turbo a R$ 199.590, o intermediário puxa a atenção por R$ 167.290, com motor 1.0 turbo, câmbio automático e algum nível de conectividade e assistentes de condução. Obviamente que alguns itens saem de cena e outros são substituídos por versões mais simples, o velho jogo do cobertor curto. É uma boa versão a se considerar de um dos SUVs mais vendidos do país?

O novo básico?

Concordo que quase R$ 170 mil não é pouco dinheiro e por isso é quase obrigação do Creta Limited ter um pacote de equipamentos mais tecnológico. Destaque para chave presencial com partida por botão, câmera de ré, retrovisores externos com rebatimento elétrico, carregador por indução, ar-condicionado automático de duas zonas, rodas de 17", bancos em couro, alerta de colisão com frenagem automática, 6 airbags, assistente de faixas com centralizador e farol-alto automático - faltou o piloto automático adaptativo em um pacote bom de assistentes.

Há pontos mais simples quando comparado ao Creta Ultimate, como o painel de instrumentos herdado do HB20, com LEDs e uma pequena tela para o computador de bordo, e o sistema multimídia com tela de 8" que, curiosamente, tem espelhamentos sem fios, enquanto a tela maior precisa dos cabos. Há um espaço vazio na parte central do painel, onde iriam mais comandos, e o freio de mão tradicional está lá. Os faróis são halógenos, com luzes diurnas em LEDs, assim como as lanternas, apenas com a assinatura noturna em LEDs. 

Hyundai Creta Limited 2026
Foto de: Motor1 Brasil

Embaixo do capô, um motor 1.0 turbo da família Smartstream, uma evolução do antigo 1.0 turbo utilizado pela Hyundai. São 115/120 cv e 17,5 kgfm, números tímidos comparados aos do VW T-Cross (116/128 cv e 20,4 kgfm), por exemplo, mas maiores que os do Chevrolet Tracker (115,5 cv e 18,3/18,9 kgfm), reduzidos para o enquadrar nas regras do menor IPI. O câmbio é automático de 6 marchas, sem mistérios ou polêmica, bem tradicional e com aletas para trocas no volante. 

O Creta Limited mantém qualidades do SUV. O acabamento ainda é bom, apesar de bastante plástico rígido, sem rebarbas ou peças desalinhadas, colocando prata e preto brilhante em alguns pontos para quebrar a monotonia. As telas são simples, mas o sistema multimídia tem espelhamentos sem fios e os botões físicos ajudam no dia a dia. Pelo preço do Creta Limited, merecia algo a mais do que o mesmo painel do HB20 mais caro. 

Hyundai Creta Limited 2026
Foto de: Motor1 Brasil

O amplo espaço interno, pelos 2.610 mm de entre-eixos, segue como um dos argumentos de vendas do Creta. Nos bancos dianteiros, bom conforto e áreas separadas pelo console central, com um porta-objetos e apoio para os braços, onde ambos tem fácil acesso aos principais comandos do carro, como multimídia e ar-condicionado. No banco traseiro, bom espaço para as pernas e, como normal no segmento, acomoda bem dois adultos, sendo um terceiro mais apertado no meio. Há saída de ar-condicionado e porta USB-C para recargas e, no porta-malas, 422 litros. 

Sem emoção, mas um bom SUV

Pensar em um carro do tamanho do Creta com um motor 1.0 turbo de até 120 cv e 17,5 kgfm de torque parece pouco, mas digo que faz seu papel. Na cidade, consegue ter boa força e uma boa conversa com o câmbio automático, que trabalha suave, mas sempre procurando deixar as rotações em boa faixa, além de um baixo lag de aceleração. Esse novo motor da Hyundai tem melhor processo de gerenciamento de temperatura e lubrificação, além de um melhor controle da injeção e de respostas do turbo, com um coletor integrado ao cabeçote.

Hyundai Creta Limited 2026
Foto de: Motor1 Brasil

O consumo de 12 km/litro em nosso teste, com gasolina, surpreendeu positivamente. Pensando nos mais de 1.300 kg do Creta Limited, é mais esperto que um T-Cross 200 TSI, por exemplo, principalmente nas respostas do acelerador e disponibilidade do torque em arrancadas. Não é um canhão nos testes de aceleração, mas não foge do segmento com esse tipo de motor. 

Na estrada, mantém o ritmo e registrou 16 km/litro, outra boa média pelo seu porte. Carregado, pede um pouco de cálculo para alguma ultrapassagem ou retomada, mas não coloca ocupantes em risco - apenas com motorista, os dois testes de retomadas ficaram na faixa dos 8 segundos. 

Hyundai Creta Limited 2026
Foto de: Motor1 Brasil

Um ponto positivo do Creta é seu ajuste de suspensão, confortável e alinhado com a dirigibilidade de um carro com proposta familiar. Não bate seco e já entendeu bem o piso brasileiro depois de anos de mercado. Não cansa quem está ao volante mesmo depois de horas, mas seria interessante ter o piloto automático adaptativo nesta versão para completar um bom pacote. 

Vale a pena?

Olhando a concorrência direta, o Hyundai Creta Limited tem o VW T-Cross Comfortline por R$ 174.290, mais caro, mas já com o ACC, painel e 10" e faróis em LEDs de série, além de mais potente. Na Honda, o HR-V EXL (R$ 170.900) tem bom pacote de equipamentos e motor 1.5 aspirado de até 126 cv, enquanto o Chevrolet Tracker LTZ custa R$ 169.490 e tem similaridades. Até o novo Nissan Kicks Sense (R$ 164.990) pode se candidatar. 

No fim, o Creta Limited poderia ter alguns itens a mais, como ACC e faróis em LEDs para ficar ainda mais competitivo. É um bom SUV compacto, com amplo espaço interno, bom consumo e rodar bem confortável, além da confiabilidade que a marca já conquistou por aqui. É por isso que vende tão bem, mesmo não sendo o mais barato?

Fotos: Rods Fernandes (para o Motor1.com)

Hyundai Creta 1.0T AT6

Motor dianteiro, transversal, 3 cilindros, 16 válvulas, 998 cm3, duplo comando de válvulas com variador na admissão e escape, injeção direta, turbo, flex
Potência e torque 115/120 cv a 6.000 rpm; 17,5 kgfm a 1.500 rpm
Transmissão câmbio automático de 6 marchas; tração dianteira
Suspensão McPherson dianteira e eixo de torção na traseira; rodas de 17" com pneus 215/60
Comprimento e entre-eixos 4.330 mm; 2.610 mm
Largura 1.790 mm
Altura 1.635 mm
Peso 1.300 kg em ordem de marcha
Capacidades tanque 50 litros, porta-malas 422 litros
Preço como testado R$ 167.290
Aceleração 0 a 60 km/h: 4,9 s; 0 a 80 km/h: 7,7 s; 0 a 100 km/h: 11,1 s
Retomada 40 a 100 km/h (em S): 8,2 s; 80 a 120 km/h (em S): 7,8 s
Consumo de combustível cidade: 12 km/litro; estrada: 16 km/litro (gasolina)
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