Teste VW Nivus GTS: vamos falar de mais que números
Dinâmica é a estrela da versão esportiva, mas um pouco mais de potência não seria ruim...
A Volkswagen é corajosa ao colocar o Nivus GTS ao lado de Jetta GLI e Golf GTI em seu marketing de novos esportivos. Ao mesmo tempo em que a marca merece aplausos ao manter esse segmento vivo, arriscou bastante ao enquadrar o SUV cupê nesta turma acima dos 200 cv e um grande peso histórico em seus nomes.
O Nivus GTS merece mesmo estar ali? Com seus 150 cv, o desafio é convencer que ele é mais do que apenas motor, provando sua capacidade dinâmica e sua usabilidade, já que ainda é um SUV e será o principal carro de alguém que procura tecnologia e conforto ao assinar um cheque de cerca de R$ 180 mil para o levar para casa. Gente, precisamos falar de mais do que números...
Projeto (e sigla) nacionais
Diferente de GTI e GLI, a VW não aplica GTS em modelos fora do Brasil. Criação local com o Passat GTS em 1983, já viveu em Gol e, mais recente, no Polo, quem o Nivus substituiu. A receita também é bem local, aproveitando muito do que já estava na prateleira da engenharia, como o próprio 1.4 turbo de 150 cv.
Reconhecer o Nivus GTS nas ruas é um trabalho de atenção. Na dianteira, a grade do para-choque troca os filetes pelo padrão colmeia, com um pequeno friso vermelho mais abaixo, enquanto a grade acima ganha o GTS, bem discreto. As rodas de 18", infelizmente opcionais de R$ 2.110, é a peça que mais se sobressai no GTS comparado a um Highline, enquanto a traseira recebe um aerofólio e o escrito Nivus é trocado pelo GTS. No restante, perde o rack no teto para um estilo mais limpo e recebe detalhes em preto brilhante.
Por dentro, as heranças do Polo GTS, com os bancos com estilo semi-concha, pedaleiras em alumínio e diversos detalhes em preto e vermelho, resultando em algo ainda discreto, como por fora. Como todo VW dessa base com motor 1.4 turbo, um seletor de modos de condução se diferencia dos 1.0 turbo, assim como um emulador de ronco que atua na base do parabrisa.
Outro item nacional no Nivus GTS é o motor 1.4 turbo, da família EA211. Produzido em São Carlos (SP), é o mesmo motor que está em T-Cross e Nivus, além da exportação para alguns países e modelos. No GTS, tem os mesmos números que os demais: 150 cv a 5.000 rpm e 25,5 kgfm em uma mesa de 1.500 a 3.800 rpm, em parceria com o câmbio automático de 6 marchas.
Onde há mais que números
Como no Polo GTS, o Nivus GTS recebeu um trabalho na suspensão que, sem perder o conforto, melhora a dinâmica. Molas e amortecedores ganharam carga para segurar a rolagem da carroceria, assim como os batentes, bandeja e toda a parte de borrachas são mais rígidas para segurar a deformação que prejudica a estabilidade em velocidades mais altas.
Os amortecedores têm mais carga, assim como as molas, tanto na dianteira quanto na traseira - mas ainda mantém o eixo de torção como estrutura. A barra estabilizadora dianteira tem 21 mm, ou 1 mm a mais que a dos 1.0 turbo, que calibra o Nivus GTS para uma dinâmica mais esportiva, principalmente quando colocado no limite e na pista. Os pneus, nas rodas 18" opcionais, são em medidas 215/45, perfil baixo, mas que ainda é usável na cidade. Os freios não mudam na comparação com o 200 TSI.
O conjunto completo é interessante. No dia a dia, dá pra sentir que é um pouco mais firme que um Nivus normal, mas muito da conta vai nos pneus de perfil baixo e na natureza do SUV cupê, já com um ajuste mais durinho desde seu lançamento. O motor 1.4 turbo se comporta como em qualquer outro carro que ele está, principalmente no modo eco - o 250 TSI tem o tão comentado lag do acelerador, mas bem menos sentido que nos 1.0 turbo, de fato.
O consumo foi bom, com 12,4 km/litro na cidade e 16,2 km/litro na estrada, ambos com gasolina - como referência, o VW Tera 170 TSI, menor e menos potente, marcou 11,6 km/litro na cidade e 17 km/litro na estrada com o mesmo combustível. Aqui, o motor maior fez pouca diferença no uso quando comparado ao 200 TSI, mas o fôlego extra na estrada não é de se ignorar, além das arrancadas na cidade.
Na hora de andar rápido, o Nivus GTS brilha na dinâmica. Apesar de alto, a dianteira afunda pouco nas frenagens e dobra pouco nas curvas que, se achar o ponto ideal, consegue usar uma traseira mais solta pra apontar nas curvas e, apesar disso, bem equilibrado. Os freios, vindos do 1.0 turbo, dão conta mesmo após diversas frenagens fortes e um vetorizador de torque joga o Nivus para dentro das curvas. Até dá a brecha para achar que tem pouca potência...
Salve-se quem puder...no aftermarket
Sim, o 1.4 turbo vai bem no uso diário do GTS. Equilibrado, relativamente econômico e que vai bem nessa plataforma. Mas os 150 cv não parecem suficientes para o que a engenharia fez nessa suspensão. Mesmo recalibrados, motor e câmbio fazem o possível para entregar, mas números não mentem e temos que ser sinceros.
No 0 a 100 km/h, o Nivus GTS marcou 8,8 segundos em nosso teste, com retomadas de 6,5 segundos no 40 a 100 km/h e 5,6 segundos no 80 a 120 km/h. São bons, mas não para um esportivo - um Hyundai Creta 1.6 turbo faz isso em 7,7/4,8/4,6 segundos, respectivamente, com seus 193 cv e 27 kgfm. Com essa dinâmica muito boa, sim, o Nivus GTS merecia mais. O câmbio faz as trocas suaves no uso e tenta ser rápido no modo Sport, mas ainda precisa ser conservador por sua concepção e nem mesmo a relação foi modificada (comparado ao T-Cross 250TSI) para deixar o GTS mais esperto.
Que a VW não leia isso, mas esse conjunto 250 TSI é bem conhecido no mercado de preparação, com diversas peças e soluções disponíveis para vários níveis de potência. Também podemos citar sistemas de freios e melhorias ainda mais na suspensão e transmissão. Mas vale lembrar que isso pode te trazer problemas com a lei e garantia...apesar que eu faria.
Isso pois o Nivus GTS tem um visual discreto e diferente, bom pacote de equipamentos, com piloto automático adaptativo, alerta de colisão com frenagem automática e alerta de ponto-cego, painel de instrumentos e sistema multimídia com telas de 10", ar-condicionado automático e outros itens bons para o dia a dia, além dessa usabilidade mista entre um carro normal e sua capacidade de andar rápido.
Bom, por R$ 183 mil com as (o que vejo como obrigatórias) rodas de 18", precisa mesmo ser bem completo. Mas vale lembrar que tem um Fiat Fastback Abarth, com 185 cv e 27,5 kgfm de torque, nessa briga. Qual será o melhor nessa briga no fim do dia? O Nivus GTS tem suas armas bem definidas! E o oponente da Fiat?
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
VW Nivus GTS 250TSI
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