Teste: Mercedes-AMG G 63 2026 se eletrificou e manteve a essência
O clássico recebeu diversas melhorias técnicas, longe de perder seu principal charme
Alguns modelos nunca mudarão a ponto de perder sua personalidade. Porsche 911, Ford Mustang, Land Rover Defender e Mercedes-Benz Classe G são alguns deles, contando apenas os que temos a venda no Brasil de forma oficial. Neste caso, o Mercedes-AMG G 63 2026 mudou, mas aposto que você mesmo está procurando onde e, acredite, mudou até o código de geração!
O principal que você precisa saber: mudou pouco o visual, pontos importantes no interior e conectividade e uma eletrificação MHEV no queridão V8 4.0 biturbo em um movimento mais para atender normas de emissões que dar ainda mais potência ou mudar o comportamento do G-Class. Outra coisa que não mudou: um carro milionário para milionários e exclusivos.
Afinal, o que mudou?
Na verdade, mais fácil começar pelo o que não mudou pois não poderiam mudar: as maçanetas que remetem aos carros dos anos 1980, as portas com fechamento bruto e nada silencioso, os piscas acima dos para-lamas dianteiros e as formas gerais do Classe G. Mude qualquer coisa dessa lista e veremos um protesto enorme na portaria da Mercedes-Benz na Alemanha.
Para ajudar, colocamos esta comparação acima, com o azul 2026 e o antecessor no nada discreto verde (aliás, saudades desse carro na minha garagem...). Basicamente, novos faróis em LEDs matriciais com 84 pequenos LEDs com controle individual e um novo design nas grades laterais do para-choque. E só. Na traseira, uma nova posição da câmera de ré, agora com lavador.
O que justifica então a Mercedes-Benz mudar até mesmo o código de geração (de W463 para W465)? O que está por baixo dessa estrutura, que segue na arquitetura chassi-carroceria, mas precisava se atualizar para a eletrificação (sim, existe o G elétrico no exterior), conectividade e assistentes de condução mais precisos e inteligentes.
Por dentro, ficou ainda mais gritante a relação entre rústico, luxuoso e moderno. Finalmente, o SUV recebe um sistema multimídia MBUX com tela sensível ao toque (12,3") e software atualizado com espelhamentos sem fios para Apple CarPlay e Android Auto, que aqui foi casado com o sistema de som assinado pela Burmester com função de cancelamento de ruídos se o isolamento acústico reforçado do G 63 não for suficiente.
Uma troca injusta foi a saída do relógio analógico do painel para abrir espaço a um porta-objetos com carregador por indução. A régua de botões foi atualizada e segue com diversos comandos, inclusive do sistema de ar-condicionado de três zonas e, logo acima, o travamento mecânico de cada um dos diferenciais do G 63 (dianteiro, central e traseiro), um pedido do público fora-de-estrada...isso se eles existem nessa categoria de carro.
Para o motorista, um novo volante com seletores de configurações do carro e novo layout do painel de instrumentos, também de 12,3". Esse refresh caiu bem com o bom acabamento do Classe G, que mistura materiais nobres com o design clássico, ao mesmo tempo em que ficou mais limpo nesta reestilização e melhorou a usabilidade de sistemas, como seus assistentes de condução.
Mais rápido e mais econômico? Pois é...
O G 63 segue com o 4.0 V8 biturbo, código M177, com dois turbos de duplo fluxo instalados entre as bancadas do V, que produz 585 cv e 86,7 kgfm de torque, como seu antecessor. A novidade está para o sistema híbrido-leve de 48 volts que adicionou um motor/gerador que coloca 20 cv e 21,4 kgfm de torque extras em situações específicas, além de gerenciar o sistema de start/stop para maior eficiência.
Ligado ao câmbio automático de 9 marchas, impossível não percebê-lo pelas saídas de escape duplas nas laterais, um charme do G 63, que pode ficar mais ou menos intenso (e lógico que escolhi o mais intenso...), mas com a adição do sistema MHEV que, por exemplo, permite que ele desligue e mantenha o ar-condicionado ainda em funcionamento. No dia a dia, é um carro de funcionamento suave e suspensão que vai muito pro conforto, mas vou detalhá-la em alguns parágrafos adiante.
O sistema MHEV, além de ajudar na hora da homologação, mostrou resultado no consumo. Em nossos testes, na cidade praticamente empatou com a medição anterior (4,8 km/litro), mas os 8,6 km/litro do novo são bem melhores que os 6,5 km/litro do anterior. Ao mesmo tempo, foi de 5,2 segundos para 4,4 segundos no 0 a 100 km/h, uma diferença considerável para "apenas" um sistema MHEV.
Surpreendente como o câmbio automático faz as trocas rápidas, além de reduções múltiplas para não deixar o V8 perder fôlego e empurrar o SUVzão como um carro esportivo que, limitado a 220 km/h, chega a ser sacanagem. É como prender um cão bravo na coleira curta, mas dá para entender pelo porte e tamanho do G 63, que tem seus 2.640 kg e um certo foco ainda no fora-de-estrada.
Um tijolo que faz curvas
Como fazer esse tijolão fazer curvas como um esportivo? A eletrificação da plataforma trouxe um novo sistema adaptativo, o AMG Active Ride Control, que além dos amortecedores adaptativos, trocou barras estabilizadoras por sistemas hidráulicos de rápida reação, que em conjunto, seguram a carroceria em velocidades mais altas e, ao mesmo tempo, permite uma grande torção do conjunto em fora-de-estrada e uma boa dose de conforto no uso normal.
Segue sendo impressionante como um carro desse tamanho faz curvas rápido. Lógico, sentimos o peso e seu tamanho quando comparado, por exemplo, com um Mercedes-AMG GLC ou GLE ou até mesmo um Porsche Cayenne, mas nenhum deles mistura esse monte de possibilidades de uso. O G-Class é o mais competente no off-road, por exemplo, mas não faz feio nas pistas ou estradas, ainda mais com essa evolução do sistema de suspensão.
E justamente isso que faz o Classe G tão querido ao redor do mundo. Sua história e usabilidade, no caso do G 63, ainda chegam com alta potência e esportividade que não é imaginável por quem vê esse carro por fora. Luxuoso, agora com mais tecnologias de condução, impõe respeito nas ruas e mostra que quem está ali dentro é diferenciado e tem um gosto que vai além dos SUVs tradicionais.
Paga-se mais de R$ 2 milhões por isso (sem considerar a customização), mas é um dos carros mais históricos que seu dinheiro pode comprar. Até por isso entendemos o motivo para o elétrico não ter feito tanto sucesso no exterior até o momento, já que seu público quer algo diferente, clássico e tradicional, coisas que não se misturam com tanta facilidade assim. Aqui, ele consegue.
Mercedes-AMG G 63
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