Volvo EX90 aposta no luxo discreto, muita tecnologia e fama do XC90
Primeiro modelo da nova fase da marca, já vê o irmão menor, EX60, com novidades
Em 2022, fui até a Suécia para conhecer o Volvo EX90, uma quebra de tudo o que conhecíamos da marca até então. Como sempre, as tecnologias chegam primeiro no modelo mais caro e com o passar dos anos conhecemos o EX30 e, mais recente, o EX60, que carregaram muito do que vi pela primeira vez há quase quatro anos.
Mas como é o Volvo EX90? No Brasil, é o topo de linha da marca, custa R$ 849.950 e, como o já clássico XC90, carrega uma dose de status que vai bem além de ser apenas mais um SUV premium de sete lugares. Carregado de tecnologias e 517 cv em dois motores elétricos, está longe de ser o mais vendido, mas é o mais impressionante Volvo até o momento.
De mim, nasceram os outros
O EX90 trouxe ao mundo a plataforma SPA2, base que foi projetada exclusivamente para elétricos e que se tornou a SPA3 para o novo EX60. Além do que está por baixo, esta identidade visual atual da Volvo começou no EX90, como a dianteira fechada, sem a grade superior, mas os faróis com luzes diurnas em forma de Martelo de Thor que, no EX90, se abre para mostrar os projetores principais.
Nas laterais, maçanetas integradas, retrovisores em corpo único e rodas de 22" que usam calotas aerodinâmicas para esconder parafusos, por exemplo, criando um estilo bem limpo e discreto em um SUV com 5.037 mm de comprimento e 2.985 mm de entre-eixos. Na traseiras, as lanternas são divididas em duas partes, com um complemento que acompanha o vidro traseiro. Sóbrio e charmoso.
Por dentro, temos um acabamento digno de um Volvo topo de linha, com couro, madeira e frisos bem montado e materiais que se conversam, com toques em madeira e até um botão de volume do som impresso em 3D. O EX90 foi o primeiro Volvo a concentrar boa parte de suas funções na tela central de 14,5" em um software base Google e estilo exclusivo para a marca, mas diferente do EX30, tem um painel de instrumentos de 9" com ao menos as informações básicas para a condução, complementado pelo HeadUp Display.
Minimalista, jogou a regulagem dos retrovisores para a tela (algo que já critiquei algumas vezes...) e, na porta do motorista, dois botões dos vidros elétricos que são usados tanto para dianteiros quanto traseiros. A maçaneta é integrada neste acabamento, liberando espaço para LEDs, acabamento em madeira e o sistema de som da alta definição assinado pela Bowers&Wilkins com direito a simulação do estúdio de Abbey Road e compatibilidade com Dolby Atmos.
Luxo elétrico de 517 cv
De tão tecnológico, o Volvo EX90 demorou mais do que o previsto para chegar aos mercados de fato por problemas em softwares, resolvidos a tempo do SUV chegar ao Brasil em 2025, depois inclusive do EX30, o menor modelo que foi apresentado em 2023 ao mundo. Isso é explicado pelo nível de avanço que ele faz em diversos aspectos.
No teto, um LiDar de alta definição faz parte do conjunto de assistentes de condução. De fato, o Volvo tem um dos sistemas mais modernos que vi até hoje, tanto pela rapidez com que ele lê o que está na rua quanto nas reações e suavidade com que atua. Como todo Volvo, é um daqueles carros que só irá se acidentar se for causado por um terceiro ou algo muito irresponsável pela parte do motorista a ponto do sistema não conseguir intervir.
Isolado do mundo exterior, dá para aproveitar apenas o silêncio a bordo ou o sistema de som de alta definição. Horas ao volante são fáceis, a não ser que o calor te atrapalhe pela ausência de uma cortina no teto de vidro, observação importante em um país quente como o Brasil, mas o carro no geral é digno de executivos, como vemos muito o XC90 por aí, e com uma terceira fileira se precisar levar pessoas em algo mais rápido, pois não tem o mesmo conforto das demais, que acomodam muito bem seus ocupantes.
Por baixo disso tudo, a base SPA2 carrega dois motores elétricos, um por eixo, com um total de 517 cv e 92,8 kgfm, números impressionantes mesmo para os 2.757 kg desse navio elétrico. Muito deste peso vem das baterias, ou 204 módulos que totalizam 111 kWh (107 kWh úteis), ainda uma das maiores baterias aplicadas em carros de passeio, do tipo NMC (níquel, manganês e cobalto), uma das composições que permitem maior armazenamento de energia por quilo.
Sua arquitetura de 400V não é a mais moderna, com muitos carros já na fase dos 800V, mas temos uma recarga de até 250 kW em DC, mas 11 kW em AC também não impacta onde alguns modelos, apesar de não muitos, já estarem na faixa dos 22 kW na carga lenta. Pelo Inmetro, são 459 km de alcance, mas que chega aos mais de 500 km no uso real.
O mundo Volvo melhorado?
O EX90 é...um Volvo. Mesmo potente, sua suavidade de funcionamento é ponto alto, entregando a força se realmente necessário e, mesmo assim, de forma suave e progressiva. A sua suspensão pneumática adaptativa conversa até com o tão prejudicado piso brasileiro, apesar das rodas de 22" pedirem atenção pelos pneus de perfil baixo, 265/40 na dianteira e 295/35 na traseira.
Apesar de grande, o EX90 vai bem no trânsito urbano. Mais uma vez, silencioso e isolado, não é um carro difícil de se entender com os comandos e fácil de se adaptar com acelerador, freios e sua força. Pensado para agradar os donos de XC90 que já se entenderam com o mundo elétrico, é realmente a evolução de um ícone da marca e símbolo de status discreto que o acompanha há tantos anos.
Podemos esperar novidades sobre eles em um período breve? Talvez, já que o EX60 já trouxe melhorias, como baterias de 117 kW, 680 cv, alcance WLTP de 810 km e recarga de até 400 kW justamente pela plataforma SPA3 com 800V, além de elementos do interior atualizados e melhorados. Mas vale a pena olhar o EX90 atual, mais moderno que muitos elétricos até mais caros por aí.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Volvo EX90
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