Avaliação Volvo XC60 T8 Ultra 2026: envelhecendo como vinho
Símbolo do Quiet Luxury, ele já não tem mais ar de novidade, mas prova que dá para envelhecer com qualidade
Nem é preciso dizer a importância do XC60 para a Volvo. Primeiro SUV na história da marca, nasceu nos anos 2000 e foi o precursor de basicamente tudo o que a marca produz hoje. As vendas provam que a fórmula deu certo, visto que também se tornou, neste meio tempo, o mais vendido da história da Volvo, com um número nada desprezível de 2,7 milhões de unidades comercializadas em todo o mundo. De fato, um best-seller.
E, como em time que se está ganhando não se mexe - ou, pelo menos, não muito - a Volvo resolveu apenas dar um leve fôlego ao seu SUV mais famoso para a linha 2026. Dentre as novidades, que chegaram ao Brasil apenas poucos meses após a Europa, o XC60 recebeu uma nova grade oblíqua e polida, com o sempre presente logotipo da empresa no centro.
Muda também o para-choque dianteiro, agora com um novo design mais aerodinâmico e muito mais angular na parte inferior, combinado com novas lanternas traseiras mais escuras. Por falar em detalhes escurecidos, os cromados ao redor do carro também foram substituídos por elementos pretos nesta versão, dando ao carro aparência levemente mais esportiva, ainda que sem parecer algo aftermarket. São modificações pontuais, sim, mas que cumpriram sua missão de dar ar renovado ao modelo.
Quem concentra as maiores novidades é o interior. Nele, destaque para a nova central multimídia emprestada dos irmãos maiores XC90 e EX90, que é baseada em uma nova plataforma Snapdragon Cockpit de última geração, desenvolvida pela Qualcomm Technologies e com software Google integrado.
Ela está maior e fica em posição levemente destacada em relação ao painel. Sua usabilidade também é excelente, sendo fácil de encontrar funções de uso comum, como o ar-condicionado, sem que seja preciso entrar em cinco ou sete subtelas, algo muito comum em carros mais novos e totalmente dependentes de telas.
Tal como vinho
Não é o caso do XC60. Tal como o ditado diz que vinhos ficam melhores com o tempo, o SUV está no auge de sua maturidade e, ao ainda não ter adotado o minimalismo em favor do fator novidade, ganha no uso prático, mantendo a boa praticidade que dificilmente se vê em carros desta década.
Há botões físicos para comando do volume do som, abertura do porta-malas e a belíssima manopla de câmbio, feita em cristal sueco legítimo, e que fica na posição certa, no console central, e não colocada aleatoriamente em alguma coluna atrás do volante.
A versão testada é a Ultra (R$ 509.950), e veio equipada na bela tonalidade Aurora Silver, sem custos adicionais, cuja cor prata metálica contrasta com tom etéreo que brilha com nuances de roxo ou magenta. Também possui o pack Dark (R$ 10.000), que como o nome sugere, adiciona detalhes pretos pela carroceria. O XC60 ainda pode ser configurado em outras seis tonalidades diferentes, que estão sempre dentro de tons acinzentados ou azulados.
Por já ter alguns anos de estrada, o modelo médio-grande da Volvo também não virou refém da ''banheirização'' recente do mercado. Ele não é exatamente pequeno, com seus 4,70 metros de comprimento, 1,90 metros de largura e 1,65 metros de altura. Mas os proprietários não se sentirão perdidos ao migrarem de um EX30 ou C40, por exemplo.
| Medidas | Volvo XC60 Ultra 2.0 T8 AWD 2026 |
| Comprimento | 4,70 metros |
| Largura | 1,90 metros |
| Altura | 1,65 metros |
| Entre-eixos | 2,86 metros |
| Porta-malas | 469 litros |
O porta-malas, de 469 litros, pode ser acessado via tampa automatizada. Tem garagem baixa? A Volvo pensou em você: você pode regular não só a abertura da tampa, mas como a altura da carroceria, graças a suspensão a ar.
Os bancos também parecem dignos de uma grande sala de estar, permitindo o máximo de movimentação longitudinal, altura, inclinação do encosto, suporte lombar, sempre de forma eletrificada. Há até extensor de almofada.
Há espaço suficiente para cinco passageiros, resultado dos bons 2,86 metros de entre-eixos. O conforto interno é completado pelo irretocável som assinado pela Bowers & Wilkins, capaz de transformar a cabine em uma sala de concerto.
Como anda?
Vendido já há algum tempo como híbrido do tipo plug-in, o XC60 é quase como uma porta de entrada aos elétricos da Volvo, servindo como um ''esquenta'' para todas as tecnologias disponíveis no line-up da marca.
Alimentam esse conjunto o 2.0 turbo, quatro-cilindros em linha, com injeção direta e comando duplo no cabeçote, capaz de render 310 cv a 6.000 rpm, enquanto o torque fica em 40,8 kgfm aos 2.200 rpm. No sistema elétrico, a Volvo adiciona um motor traseiro de 145 cv e torque de 31,5 kgfm. Em conjunto, ele é capaz de atingir nada menos do que 462 cv e 72,3 kgfm de torque. Nada mal para um SUV familiar.
E, mesmo que os números possam parecer até exagerados, a entrega é feita da maneira mais sólida e segura que só um carro sueco conseguiria entregar. Não é incomum, ao distrair-se do painel de instrumentos - digital, com navegação embutida - que o carro passe da velocidade limite da pista sem que se note. O XC60 é, afinal, um carro feito para rodar em pistas como as Autobahns alemãs, sem velocidade máxima, como se estivesse em um trajeto de bairro, indo à padaria pela manhã.
Quando em modo elétrico, o SUV é extremamente silencioso - até para os padrões de EVs - fruto da boa construção do carro. É comum que, sem motor a combustão, barulhos externos fiquem mais evidentes em híbridos no modo elétrico ou BEVs puros, mas o isolamento duplo das portas e os vidros reforçados fazem o trabalho de isolar quem está na cabine do resto do mundo.
O ponto negativo é que a experiência nesse modo é curta. Segundo a Volvo, a bateria de lítio de 18,8 kWh de capacidade, já com alguns anos de projeto, não faz muitos milagres. Com isto, o alcance em modo EV é limitado a 48 km, segundo o Inmetro. No mundo real, como a maioria dos propulsores elétricos, esse número costuma render um pouco mais, tendo chegado perto dos 70 km durante a semana de testes.
Por falar na carga da bateria, entre as opções de uso, o carro prioriza a recarga da bateria, através do sistema de freios regenerativos, especialmente quando esta está com porcentagem baixa, abaixo dos 15%. Acima disso, dificilmente o carro funcionará em modo totalmente a combustão sem que o motorista selecione essa opção.
Também é possível carregá-lo através do plug presente no para-lama dianteiro esquerdo. Seu carregamento dos 0% a 100% leva cerca de 3 horas em wallbox pelas ruas, mas ainda apenas AC. Já nas lentas, comuns em prédios residenciais ou escritórios, a recarga pode ir de 4 a 8 horas.
Ainda vale a pena?
No fim, o XC60 ainda é uma opção super válida e muito sólida dentro de sua categoria. Seus concorrentes diretos só agora estão sendo atualizados, e nem todos dispõem de sistema de eletrificação como o Volvo, ao menos não no Brasil.
Ele também é a opção certa para quem não quer chamar atenção demais no trânsito, algo comum especialmente ao Mercedes-Benz e ao BMW. O modelo sueco aposta na discrição, ou, como os publicitários amam falar, no ''quiet luxury'', priorizando o máximo de qualidade, materiais nobres e atemporalidade do que no que está em alta nas praças onde os donos não desejam circular.
A Volvo também já antecipou seu futuro na forma do EX60. Equivalente totalmente elétrico de nova geração do SUV médio-grande, o modelo foi apresentado ainda no início de janeiro de 2026, e já teve passaporte confirmado para o mercado brasileiro ainda neste ano, atuando na faixa logo acima do atual XC60.
Volvo XC60 T8
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