Novo Toyota GR Yaris: melhor o manual ou automático? VEJA O TESTE DOS DOIS NA PISTA!
Pilotamos no Velocittà o novo "pocket rocket" japonês que ignora o conforto para ser o carro mais rápido e visceral da marca no Brasil
O Motor1.com Brasil acelerou o novo Toyota GR Yaris no Autódromo Velocittà para testar as versões manual e automática do hot hatch. Com 304 cv e tração integral, o modelo chega ao País por R$ 354.990 para provar que é um carro de rali homologado para as ruas, sendo totalmente diferente de tudo o que já usou o nome Yaris em solo brasileiro.
Diferente do hatch e agora do SUV compacto que conhecemos por aqui, o GR Yaris é um projeto de "função sobre forma". No vídeo em destaque na capa, mostramos como a carroceria de duas portas e o teto em fibra de carbono transformam a dinâmica do carro. Esqueça a racionalidade, o foco é em aproveitamento máximo do peso e da potência para se sair bem nas pistas.
O três cilindros mais potente do mundo
Por falar em potência, debaixo do capô de alumínio há um motor 1.6 turbo G16E-GTS, mesmo do GR Corolla já oferecido por aqui. No GR Yaris, são os 304 cv mas torque maior, de 40,8 kgfm. Isso representa mais de 100 cavalos por cilindro, um recorde para motores de produção em série. A verdadeira façanha do conjunto é como ele acorda acima das 3.000 rpm e empurra o carro com uma violência que o GR Corolla, graças ao seu peso maior, não entrega.
A engenharia por trás desse propulsor é focada em resistência extrema para suportar o uso em pista sem fadiga. Componentes internos foram reforçados para lidar com a pressão do turbo de grande porte, que entrega um comportamento "old school". Além da robustez mecânica, o sistema conta com um pulverizador de água manual para o intercooler, permitindo baixar a temperatura do ar de admissão em até 25°C durante sessões de track day.
Essa tecnologia garante que o motor mantenha o rendimento constante mesmo sob sol forte ou após várias voltas rápidas no limite. A Toyota é tão confiante no projeto que oferece os mesmos 10 anos de garantia do restante da linha, mesmo para quem frequenta circuitos. É um atestado de confiabilidade para um conjunto que extrai cada gota de energia de apenas três cilindros e 1.600 cm³.
Manual vs Automático
Esportivo automático é esportivo de verdade? Aqui, a Toyota prova que sim. Nem a adição de peso - são 25 kg a mais, graças ao câmbio de oito marchas com conversor de torque - muda o comportamento do hot hatch. Seu tempo de aceleração tanto com o manual quanto com o automático é o mesmo, de 5,2 segundos. Nada mal, não? São números dignos de esportivos bem mais potentes.
Na pista, a caixa automática surpreende por não negar reduções próximas ao corte, mantendo o giro sempre no "cheio" para saídas de curva agressivas. Diferente de um automático comum, ele foi calibrado com lógica de competição, permitindo que o piloto foque apenas na trajetória e na frenagem. É uma agilidade que não deixa saudades nem mesmo de transmissões de dupla embreagem mais famosas.
Já a versão manual de seis marchas é um convite ao purismo, exigindo muito mais braço e coordenação do piloto para extrair o tempo ideal. O engate é curto e preciso, permitindo que o condutor sinta cada conexão mecânica do carro. No fim do dia, a escolha entre os dois é puramente filosófica: um foca na eficiência absoluta do cronômetro, enquanto o outro prioriza o desafio e a conexão homem-máquina.
O sistema de tração GR-Four permite que o motorista escolha quanto torque enviar para as rodas traseiras. No modo Track, o carro fica extremamente equilibrado, enquanto no modo Gravel ele assume o DNA de rali. Essa distribuição de força ajuda a colocar os 304 cv no chão sem desperdiçar aderência nas curvas, permitindo que o carro aceite desaforos que fariam outros esportivos rodar na pista.
Interior focado no piloto e ergonomia de rali
Por dentro, o GR Yaris ignora o luxo e foca no que é funcional para quem está acelerando no limite. O painel digital de 12,3 polegadas e o console voltado para o motorista deixam todos os controles à mão. Até o freio de mão é manual, posicionado estrategicamente para facilitar manobras em ralis ou drifts, permitindo aquela puxada clássica para posicionar o carro na entrada da curva.
O entre-eixos curto torna o carro muito mais "vivo" e arisco que o irmão maior GR Corolla, exigindo mais atenção e reflexos rápidos do piloto. Com um lote limitado a 198 unidades - já esgotado - o GR Yaris já chega ao País como um item de colecionador. Só esperamos que seus donos aproveitem todo seu potencial no lugar de deixá-los parados em um cavalete.
Toyota Yaris
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