Honda NC 750X 2026: você não tem maturidade para essa moto
Moto pode ser crossover? A marca pensa que sim, mas é a melhor moto para quem leva o andar de moto muito a sério
A Honda apresentou a nova NC 750X 2026 em outubro e, depois de andar na moto, posso dizer: essa moto não é para qualquer um. Desde 2012, pouco mais de 30 mil unidades foram vendidas. Menos que um mês bom de vendas da CG 160. Talvez esse New Concept - daí o nome NC - tenha sido novo demais para o Brasil?
Ou talvez seja um conceito que exija uma maturidade que o brasileiro ainda não tem. A Honda NC 750X 2026 não é chamativa, não vende uma ideia de aventura e também não é a mais performática da linha da marca no Brasil, com a Transalp 750 tendo mais potência com uma cilindrada similar. Mas o que ela faz bem, poucas motos fazem: ser um instrumento para viajar longas distâncias no asfalto sem preocupação, o que demanda uma maturidade comprovada pelo perfil de seus clientes. A maior faixa etária que compra a NC tem 40 anos ou mais. Veja como anda a moto, testada aqui na versão DCT de R$ 61.948 sem frete.
Galeria: Honda NC 750X 2026 Primeiras Impressões
Honda NC 750X 2026: as mudanças
Entre as principais novidades, a NC 750X 2026 adota novo sistema de freios dianteiros com discos duplos de 296 mm, painel TFT colorido de 5" e o uso de materiais reciclados Durabio nas carenagens. O modelo também passou por ajustes no câmbio DCT, que agora oferece respostas mais suaves em baixas velocidades, além de melhorias no conforto e na ergonomia.
A crossover da Honda ganhou linhas mais elegantes e minimalistas, com carenagens redesenhadas e um novo grupo óptico de LED. O para-brisa foi reformulado para melhor proteção aerodinâmica, e o tradicional compartimento frontal de 23 litros — capaz de acomodar um capacete integral — segue sendo um diferencial da NC 750X, agora com porta USB-C integrada. O novo painel TFT da Honda NC 750X 2026 é de 5” e apresenta três modos de visualização e melhor legibilidade sob luz solar direta.
O motor bicilíndrico de 745 cm³ segue entregando 58 cv a 6.750 rpm e 7,0 kgfm de torque a 4.750 rpm, com foco em suavidade e economia. A Honda promete autonomia superior a 300 km . O acelerador eletrônico Throttle-by-Wire (TBW) permite selecionar até cinco modos de pilotagem, que ajustam potência, freio-motor e controle de tração (HSTC, com três níveis ou desligamento total).
Na versão DCT, a transmissão automatizada de dupla embreagem recebeu melhorias para operações mais suaves em baixa velocidade, reduzindo trancos em manobras e otimizando o conforto. A troca de marchas ocorre em apenas 70 milissegundos, com possibilidade de operação automática ou manual por botões no guidão.
Honda NC 750X 2026 (BR)
O chassi de aço tipo Diamond foi mantido, mas o modelo ganhou novo conjunto de freios dianteiros, agora com dois discos flutuantes de 296 mm e pinças de dois pistões. O sistema ABS de dois canais é de série. A suspensão dianteira Showa Dual Bending Valve (SDBV) e o sistema traseiro Pro-Link regulável garantem equilíbrio entre conforto e estabilidade. As novas rodas de liga leve de 17" reduziram 1,8 kg em relação ao conjunto anterior.
Nas principais medidas, a Honda NC 750X 2026 tem 1.531 mm de entre-eixos e o assento tem 802 mm de altura. Seu peso a seco é de 204 kg para a versão MT e de 214 kg para a DCT. O tanque de combustível comporta 14,1 litros de gasolina e a marca declara um consumo médio de 24 km/l.
A NC 750X 2026 conta com linha de acessórios originais Honda, incluindo malas laterais, top box, kits de iluminação e proteção, além de itens de vestuário desenvolvidos em parceria com a Alpinestars. A moto possui garantia de 3 anos sem limite de quilometragem, com cobertura Honda Assistance em todo o Mercosul.
Honda NC 750X 2026 Primeiras Impressões
Não é o que parece
Para perceber as mudanças da linha 2026 na Honda NC 750X é preciso prestar atenção. Novas rodas, carenagens revisadas, bolha feita de material reciclado... nada muito gritante por fora. A moto ainda tem a presença de uma aventureira, por mais que a pequena altura do solo, agravada pelo novo catalisador, e as suspensões na casa dos 120 mm de curso colocam a novidade mais no campo das touring do que das big trails.
Mas as mudanças estão lá. O novo painel digital da Honda NC 750X 2026 deu um novo fôlego para a moto, que tinha um conjunto de instrumentos digital, mas com a antiquada - para seu preço - tecnologia de LCD. A marca ainda mexeu na posição da bateria, abrindo mais espaço para o maior trunfo da moto: mais de 20 litros de espaço onde você acha que é o tanque. Cabe um capacete integral com facilidade. O acesso ao tanque continua sendo feito sob o assento do garupa.
Honda NC 750X 2026 (BR)
Mesmo parecendo alta, a Honda NC 750X 2026 tem tudo o que é pesado instalado em posição baixa, como tanque, bateria e o próprio motor, o mesmo da X-ADV e que também tem os cilindros inclinados para frente. Com o entre-eixos longo, a aventureira de cara tem atributos de estradeira na prática.
Como a Honda sempre dá um jeito de fazer em suas motos, a NC 750X 2026 tem um posição neutra de pilotagem, enquanto o formato revisado do assento me permitiu colocar os dois pés no chão mesmo com 1,72 m de altura. Não se assuste com o tamanho dela. Uma vez montado, é uma moto muito fácil de lidar.
Apesar de a cilindrada ser a mesma da Transalp (~750 cm³), a potência é menor. Como disse na abertura, a NC 750X não é moto para estripulias. Mas puxar como se estivesse no pico de torque é algo que a NC faz que a Transalp apenas sonha. E o novo acerto do câmbio DCT de seis marchas leva isso em consideração: se você não enrolar o cabo, as trocas acontecem sempre a menos de 4.000 rpm e sem que você as perceba. Mas não tem motivo para mais, afinal o motor mal passa de 7.000 rpm.
Se você quiser mais resposta, tem que recorrer aos modos de condução, mas escute de quem avalia moto por profissão há 17 anos: não importa o câmbio automático, sempre achamos que poderíamos fazer melhor as trocas por conta própria. Leva tempo até você se acostumar e, eventualmente, esquecer das trocas. Se você insistir, há modo manual no câmbio e botões para as trocas no punho esquerdo.
Honda NC 750X 2026 Primeiras Impressões
O que realmente me assustou positivamente da Honda NC 750X 2026 foi a agilidade. Não é uma CG de peso e o entre-eixos é longo. Receita boa de linha reta, mas ruim de curva certo? Não poderia estar mais errado. O compromisso de ter as rodas menores de 17" e mais leves se paga nas mudanças de direção, onde a NC é mais ágil até que a Transalp com sua grande e pesada roda dianteira raiada de 21". A nova NC é tão ágil que me peguei repetidamente raspando as pedaleiras, e eu nem vejo graça nisso, foi completamente sem querer. Não tinha botado fé na capacidade da moto.
No fim do teste drive, após muitas serras em estradas de pistas simples, já tinha esquecido completamente que havia rodado 140 km em 3 horas. Sem cansaço, sem stress, sem me preocupar com embreagem. Foram três horas apenas curtindo a paisagem e ouvindo o melhor do metal melódico no intercomunicador. O último trecho era de chão batido, mas nisso não fui surpreendido. Pneu de asfalto, suspensão mais firme e de pouco curso mostram que a NC 750X 2026 vai encarar a terra a contragosto.
Diversão e aprendizado - enrolando o cabo ou não - levaram a um total de 185 km rodados pelo Sul de Minas Gerais. Nunca que ia chegar aos 24 km/l declarados pela Honda, certo? Bem, o computador de bordo da NC 750X 2026 apontou 26,7 km/l sem nem tentar ser econômico.
A moto não cansa, não te faz pensar muito e roda muito antes precisar abastecer. Parece a antítese de uma moto para jovens que querem aparecer ou brincar de MotoGP em via pública. Se você não está pronto para a NC 750X, seu nível de maturidade poderia ser melhor.
Honda NC 750X 2026 Primeiras Impressões
Motor1.com Brasil inaugura parceria com a Bieffe Capacetes
Se vocês repararam neste novo e bonito capacete branco nas fotos, não é acaso. O Motor1.com Brasil e a Bieffe Capacetes estão inaugurando uma parceria. A partir de agora, todas as avaliações de motocicletas feitas no site terão como capacete oficial os produtos Bieffe. O autor está usando agora o Bieffe B12 Imperium, que custa R$ 569,90 no site oficial da Bieffe.
O B12 é um capacete urbano leve e compacto. Tem casco em polímero de alta absorção de energia, formato com spoiler traseiro para melhorar o fluxo de ar e entradas frontais/superiores que ajudam na ventilação e reduzem o embaçamento.
O interior usa materiais impermeáveis, hipoalergênicos e fáceis de limpar, com centro termoformado para mais conforto. A bavete é bem ajustada ao casco para melhorar a vedação e diminuir ruídos. O sistema Easy Fit facilita o uso com óculos. A viseira é de policarbonato de 2 mm com proteção UV, antirrisco, troca rápida e compatível com película antiembaçante. O capacete é preparado para intercomunicadores e usa fecho micrométrico. O capacete pesa 1.340 gramas e atende à norma NBR 7471.
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