Opala amarelo à moda SS: a nova criação do projeto Chevrolet Vintage
Ainda há outros restomods a caminho: picapes V8 e um incrível Chevette Tubarão
A General Motors mostrou ontem, em Interlagos, mais um dos carros preparados no projeto Chevrolet Vintage, que restaura modelos clássicos de forma original ou “restomod” para comemorar os cem anos de fundação da filial brasileira da companhia.
A novidade agora é um Opala 1979 cupê amarelo, refeito ao estilo restomod e com decoração inspirada nos SS. O carro faz par com o Opala 1976 cupê verde, também caracterizado como SS, apresentado em outubro passado no Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba (SP). Esses dois trabalhos foram executados na mesma oficina terceirizada — a BTS Garage, leia-se Batistinha — seguindo uma mesma receita elaborada pelos engenheiros da fábrica que participam do projeto.
A equipe da GM acompanha semanalmente o andamento dos projetos. Ao fim, os carros passam por um “pente fino” da engenharia da fábrica, para verificar se tudo está dentro do padrão exigido de um zero-quilômetro. Na fase de validação, são testados no Campo de Provas de Indaiatuba e recebem todos os ajustes finais, sempre necessários. Alguns projetos que exigem maior rigor quanto à originalidade estão tendo a montagem feita dentro da fábrica-piloto da GM.
Os outros carros do programa Vintage já revelados ao público incluem um Monza EF500 1990 em estado original, uma S10 vencedora do Rally dos Sertões de 2006 e um Omega CD 1994 equipado com kit de preparação da alemã Irmscher. Vale lembrar que esse Omega foi o primeiro fruto do projeto a ser vendido: em dezembro, foi arrematado por R$ 437 mil em um leilão realizado no museu Carde, em Campos do Jordão (SP).
Chevrolet Omega CD Irmscher (Vintage GM)
Na lista dos dez carros do programa Vintage ainda falta concluir o Kadett GSi 1992 original (que deve ser o próximo a ficar pronto), uma D20 cabine dupla também original, das últimas fornadas, com motor Maxion S4 T Plus, uma C10 cabine simples de 1975 com motor V8 6.2 de Camaro e câmbio automático de seis marchas, além de uma picape Chevrolet Brasil 1959 que está ganhando motor V8 350, transmissão automática e modificações na suspensão e nos freios. As duas picapes modificadas estão sendo feitas no Galpão Z28.
Cuidado, Tubarão azul!
A cereja do bolo dos 100 anos será um Chevettinho “Tubarão” azul com aparência original, mas equipado com um motor que, nos anos 80, equipava carros de rali no Brasil — era conhecido como “Misto Quente”. Preparado pela própria engenharia da GMB na época, combinava bloco do Chevette 1.6, cabeçote do Monza, comando mais brabo e carburador de corpo duplo, rendendo aproximadamente 100 cv.
No caso do Tubarão que está sendo preparado no projeto Vintage, essa velha receita foi apimentada com um kit de 1,7 litro e bielas forjadas. A preparação está sendo executada na oficina do restaurador e customizador Teco Caliendo.
A engenharia da GM estudou e reproduziu no Chevette até os reforços estruturais de monobloco que a Opel utilizava nas pistas europeias nos anos 70.
— O carro terá ainda freios a disco nas quatro rodas, rodas de tala um pouco mais larga, suspensão ligeiramente rebaixada, câmbio de cinco marchas e, como item de conforto, ar-condicionado — antecipa Luiz Riedel, um dos entusiasmados engenheiros envolvidos no projeto.
A previsão é que todos os carros da série Chevrolet Vintage estejam prontos até março ou abril e sejam levados a leilão ao longo de 2026.
O Opala verde foi mostrado primeiro
Verde e amarelo
De todos os carros do projeto, apenas dois têm fórmula repetida: o Opala verde e o Opala amarelo, ambos caracterizados como SS — as cores nacionais são uma homenagem ao país onde a General Motors instalou sua filial em 1925.
Apesar de terem sido comprados pela GM em bom estado de conservação, ambos tiveram a pintura decapada até a lata e foram refeitos artesanalmente nos mínimos detalhes. A funilaria levou aproximadamente três meses na oficina de Batistinha, onde também foram incorporadas as atualizações na mecânica.
Chevrolet Vintage: Opala caracterizado SS 1979 restomod
O objetivo era ter um Opala extremamente íntegro, respeitando o design original, mas com modernizações que permitam até o uso diário do carro nos dias de hoje, se for o caso.
Todo o sistema de arrefecimento foi atualizado. O ventilador mecânico deu lugar a um ventilador elétrico — só aí já houve um ganho em torno de 5 cv. O motor seis-em-linha original de 4,1 litros foi inteiramente desmontado, recebendo todos os componentes internos zero-quilômetro. Eixo, pistões, bielas… é tudo novo — mas original, sem preparação.
Em vez de carburador, contudo, há a injeção eletrônica FuelTech 550 (um desavisado pode até pensar que há um Weber ali embaixo do filtro de ar). O sistema de exaustão é dimensionado, um 6 em 2, de aço inox.
O tanque é maior e a bateria foi deslocada para o porta-malas, deixando o compartimento do motor com aparência mais “clean”. Toda a instalação, aliás, chama a atenção pela limpeza — e pelos componentes pintados de preto fosco, contrastando com as cores vivas e brilhantes das carrocerias.
A transmissão original deu lugar a uma caixa Tremec de cinco marchas nova em folha, com alavanca Hurst para uma sensação de troca mais direta.
Freios e suspensões foram 100% revisados, recebendo todos os componentes novos. Os Opala ganharam discos na traseira e suspensão levemente rebaixada, com amortecedores Bilstein de maior carga, para dar equilíbrio ao carro. As rodas mantêm o desenho original das usadas nos SS dos anos 70, mas são novas, com medidas diferentes. Calçam pneus RoadX RXmotion 195/60 R15 na frente e 225/60 R15 atrás.
Os quatro carro que foram apresentados em outubro
A decoração interna é bem sóbria, sem papagaiadas. Tudo preto, com direito a tapetes de borracha e cheiro de carro zero-quilômetro. Os bancos são novos, com apoio lateral, forrados com couro. Um detalhe bacana são os instrumentos com mostradores aparentemente originais, mas com funcionamento eletrônico e hodômetros digitais. Todo o chicote elétrico foi refeito. Os Opala ganharam ainda ar-condicionado — mas os vidros continuam a subir e baixar na manivela.
Tudo foi restaurado ou substituído. Nada do que estava gasto foi reaproveitado. Os mais puristas podem torcer o nariz ao ver dois Opala seis-cilindros “normais” caracterizados como SS, mas esses carros vão muito além de restaurações originais. São uma caprichada releitura feita por engenheiros da GM de hoje, com tudo o que a tecnologia do século XXI poderia melhorar em um projeto da década de 70 — e com confiabilidade de zero-quilômetro. Mesmo sendo um xiita da originalidade, eu adoraria guiar um carro desses!
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