Chery Tiggo 5X HEV 2027: já andamos no SUV híbrido que chega em 2026
Testamos o EBRO S400, gêmeo europeu do modelo que a Caoa oferecerá no Brasil no ano que vem
O Caoa Chery Tiggo 5X 2027 híbrido (HEV) foi um dos principais destaques da marca durante o Salão do Automóvel 2025. O SUV de entrada da empresa passará por uma reestilização, ganhará mais conteúdo de série e, mais importante, receberá a opção de um conjunto motriz híbrido pleno. Mas, como acontece aqui, o modelo é vendido por outras marcas ao redor do mundo.
Nossos colegas do Motor1.com España já avaliaram o novo Chery Tiggo 5X HEV 2027 por lá, onde é vendido sob a marca EBRO com o nome S400. Na Espanha, a empresa também oferece o S700 (Tiggo 7) e S800 (Tiggo 8). Por lá o EBRO S400 HEV, ou Tiggo 5X HEV para nós, é o carro mais barato da empresa, partindo de 19.990 euros (R$ 123,5 mil).
Galeria: EBRO S400 Hybrid 2025, o Tiggo 5x italiano
Como é
O S400 marca o retorno da tradicional EBRO, marca cuja história teve início na década de 1920 (veja a história ao final do texto) agora voltada a veículos de passeio após anos dedicada ao setor industrial e agrícola. Reinstalada na antiga fábrica da Nissan em Barcelona (ESP), a marca busca espaço no segmento mais competitivo do mercado com um SUV compacto híbrido, preço competitivo e equipamentos sólidos já nas versões iniciais.
Com 4,32 metros de comprimento, cinco lugares e porta-malas de 430 litros, o S400 se encaixa bem no uso cotidiano. A dianteira segue a identidade dos irmãos maiores S700 e S800, com grade ampla, faróis finos de LED e luzes diurnas verticais.
A lateral mantém a silhueta típica dos SUVs compactos, reforçada por rodas de liga leve de 17". Na traseira, as lanternas passam a ser interligadas por uma barra de LED, enquanto a falsa terceira janela cria a impressão de carroceria mais longa.
Agora também HEV
Sob o capô, a versão espanhola do novo Tiggo 5X combina um motor 1.5 aspirado de 95 cv a um motor elétrico de 204 cv, alimentado por uma bateria de 1,83 kWh. Segundo a EBRO, o conjunto entrega 211 cv e utiliza câmbio automático 1DHT de uma marcha.
De acordo com o teste espanhol, o Tiggo 5X 2027 de lá acelera de 0 a 100 km/h em 8,7 segundos e atinge 150 km/h, números adequados para o uso diário, embora levantem dúvidas sobre a entrega real de potência. O consumo oficial é de 18,8 km/l. Em uso urbano, essa média pode ser reproduzida com facilidade, mas tende a piorar em estradas.
Há chances de a futura versão HEV vendida no Brasil seguir essa configuração, como forma de se diferenciar do Omoda 5, que hoje combina motor 1.5 TGDI a um elétrico na versão híbrida com 204 cv e 30,4 kgfm. Vale lembrar que Omoda & Jaecoo é uma divisão global do Grupo Chery e não tem relação com a operação da Caoa no Brasil.
Segundo nossos colegas espanhóis, o ruído do motor a combustão se torna mais evidente em acelerações fortes. Outro ponto destacado é o funcionamento do sistema híbrido, que difere do padrão Toyota. No S400, o motor elétrico move o carro o tempo todo, enquanto o motor a gasolina atua majoritariamente como gerador.
Interior renovado
Também há novidades na cabine desse Tiggo 5X espanhol. O interior adota um painel integrado de 20,5" que reúne, em uma única peça, as telas digitais do quadro de instrumentos e da central multimídia. O modelo ganhou ainda novo volante, console redesenhado e melhorias no acabamento e nos equipamentos, como carregamento por indução e bancos dianteiros com ajustes elétricos.
O espaço é adequado para quatro adultos, e comandos físicos para funções básicas facilitam o uso cotidiano, ainda que outros ajustes exijam navegação pelos menus do sistema multimídia.
Considerações finais
A linha do Tiggo 5X HEV espanhol inclui duas versões, Premium e Excellence. A primeira já oferece ar-condicionado digital de duas zonas, partida sem chave, controle de estabilidade, rodas de 17" e integração com Apple CarPlay e Android Auto. Já a configuração Excellence adiciona mais comodidades.
No fim, o teste espanhol indica que o EBRO S400 entrega um conjunto equilibrado, moderno e com consumo competitivo, ainda que com pontos a aprimorar. Em um segmento tão concorrido como o de SUVs compactos, que conta com representantes de quase todas as marcas, fica a dúvida se as mudanças promovidas serão suficientes para fazer o pequeno modelo da Chery voltar a ser relevante.
Ebro C550 - até os anos 60, a empresa usava tecnologia Ford (folheto)
O que é a EBRO?
A história da Ebro começa em 1923, quando a Ford Motor Ibérica estabeleceu uma linha de montagem em Barcelona. Na década de 50, com a fundação da Seat e da Fasa-Renault - duas fábricas de automóveis apadrinhadas pela ditadura franquista - a Ford percebeu que não teria muito futuro no país e decidiu se desfazer da operação. O que restou foi uma companhia totalmente nacionalizada, a Motor Ibérica S.A., que, em 1954, lançou a marca Ebro (nome de um dos maiores rios da Espanha). A empresa produziria em Barcelona caminhões e tratores com projetos cedidos pela Ford britânica.
Com o passar do tempo, os laços com a Ford foram definitivamente desatados e a Ebro passou a ter acordos tecnológicos com a Massey Ferguson, que comprou parte da companhia. A Motor Ibérica cresceu e foi absorvendo outras fábricas espanholas de caminhões, ônibus, furgões (Fadisa-Alfa Romeo) e até a Viasa, que fazia o Jeep Commander em Zaragoza. Daí nasceram os Ebro Jeep, alguns deles com estilo bem particular.
A expansão deu certo e, na primeira metade da década de 1970, a Ebro simplesmente quintuplicou suas vendas. Em um momento, chegou a ter 20 fábricas, com 11 mil funcionários. Havia linhas de produção até no Marrocos e nos Países Baixos.
Foi quando a Massey Ferguson achou que a operação já estava de bom tamanho e vendeu seus 36% de participação para a Nissan. A japonesa foi adquirindo mais ações até alcançar o controle da companhia espanhola, que passou a se chamar Nissan Motor Ibérica. A divisão de tratores foi vendida à nipônica Kubota, enquanto veículos com a marca Nissan foram ocupando cada vez mais espaço na linha de montagem. Em 1987, o nome Ebro foi tirado de cena.
Na fábrica de Barcelona, a Nissan Motor Ibérica produziu suas vans e minivans, além dos 4x4 Patrol, Terrano II e Pathfinder. Fez ainda o hatch Pulsar, parente do Tiida. O Brasil chegou a importar um produto da Nissan Motor Ibérica: a picape Navara, vendida aqui como Frontier LE, em 2006. Da unidade industrial também saíram os fracassados Renault Alaskan e Mercedes-Benz Classe X, irmãos da Navara/Frontier.
Em 2020, porém, a Nissan começou a fechar fábricas na Espanha para aproveitar melhor as sinergias com a Renault na França e em outros países. Além disso, a marca japonesa já tinha um grande centro de produção no Reino Unido. Em retaliação às demissões, o governo espanhol cortou subsídios.
A Nissan Motor Ibérica acabou de vez em dezembro de 2021. Mas restavam 20% das ações da companhia com os donos da antiga Motor Ibérica S.A. — é daí que a Ebro renasceu graças a uma união com a Chery, em um casamento arranjado pelo Ministério da Indústria espanhol.
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