Conceitos esquecidos: muito antes do T-Roc, VW testou híbrido a diesel com o Golf
Quando híbridos ainda não eram moda, alemã testou seu produto mais famoso com motor diesel; o resultado? quase 30 km/l
Hoje presença quase onipresente na maioria das marcas, os carros híbridos ainda eram um conceito muito avançado há uma ou duas décadas, com raros os carros de modelos disponíveis. Na verdade, o único híbrido de massa era o Toyota Prius, japonês vendido desde o fim dos anos 90 e que unia médias altíssimas, de até 30 km/l, sem concorrentes à altura.
O grupo Volkswagen, em 2008, resolveu entrar nessa briga com um carro tão eficiente quanto seus diesel pequenos, como o VW Lupo, mas em um produto maior, mais refinado e que também pudesse ser potente. O escolhido? O Golf de quinta geração.
Pouco antes do Salão de Genebra daquele ano, a marca apresentou um estudo de conceito cujo objetivo de desenvolvimento era um carro familiar especialmente eficiente, com emissões de CO₂ abaixo de 90 g/km. Para isso, os engenheiros da VW combinaram um motor a diesel moderno com um motor elétrico e uma nova transmissão automatizada DSG de sete marchas.
O resultado foi apresentado como Golf TDI Hybrid Concept. No ciclo combinado, o veículo registrou consumo de 3,4 l/100 km (cerca de 29,4 km/l), equivalente a emissões de apenas 89 g/km de CO₂. No uso urbano, o Golf TDI Hybrid podia rodar por períodos em modo totalmente elétrico, deslocando-se com emissões zero.
No visual mudanças eram mínimas, apenas em grades e rodas
O coração do conjunto era um 1.2 TDI de três cilindros, projetado para máxima eficiência e com injeção common-rail. O motor a diesel entregava 75 cv e 18,2 kgfm de torque. Ele era complementado por um motor elétrico de 27 cv e 14,2 kgfm, que podia atuar junto ao motor a combustão ou de forma independente, conforme a necessidade. Ao mesmo tempo, o motor elétrico substituía o motor de partida e o alternador, economizando peso e simplificando a integração do sistema.
O motor elétrico também funcionava como gerador. Nas frenagens, a energia cinética era recuperada e armazenada em uma bateria de níquel-hidreto metálico de 220 volts. Instalado na traseira, o acumulador pesava 45 kg e tinha capacidade de 1,4 kWh.
VW Golf TDI Hybrid Concept (2008)
Em movimento, o carro saía inicialmente em modo elétrico. O motor a diesel só entrava em funcionamento quando eram necessárias velocidades mais altas ou aceleração adicional. Nessas situações, o motor a combustão assumia o papel, enquanto o elétrico atuava como suporte, por exemplo em ultrapassagens.
Nas paradas, o motor a diesel era desligado por completo para economizar combustível e aumentar a eficiência. A distribuição de energia entre as duas fontes de propulsão era mostrada em um gráfico na tela touchscreen do sistema de navegação.
A transmissão de força era feita por uma nova caixa DSG de sete marchas com dupla embreagem e embreagens a seco. Em comparação com os sistemas anteriores de embreagem úmida, essa construção deveria melhorar ainda mais a eficiência das transmissões automatizadas.
Visualmente, o estudo também se diferenciava do Golf de produção por detalhes mínimos. Entre as mudanças estavam um desenho próprio da grade, com entradas de ar frontais menores para reduzir a resistência aerodinâmica e discretos emblemas TDI Hybrid. Além disso, o carro ficava mais baixo. Um spoiler dianteiro do Golf GTI da época também ajudava na aerodinâmica. Por fim, o exterior ganhava tonalidade específica, mais clara.
Por que não saiu do papel?
Na época, a Volkswagen tratou o Golf TDI Hybrid explicitamente como um estudo tecnológico, com foco em possíveis aplicações futuras em modelos de produção. O conceito veio na sequência do lançamento do Golf BlueMotion, que com motor diesel 1.9 de quatro cilindros otimizado, calibração de câmbio ajustada e medidas aerodinâmicas, alcançava consumo combinado de 4,5 l/100 km (22,2 km/l) e emissões de 119 g/km de CO₂.
É bem possível que os custos não se pagassem, visto que o BlueMotion já cumpria sua função de ser mais eficiente dentro da gama Golf. 2008, vale lembrar, também foi o ano em que o mercado global viu o pedido de falência do Lehman Brothers Holdings Inc., que levou a uma crise geral em quase todos os mercados, em especial na Europa e nos Estados Unidos, um momento difícil para que qualquer empresa conseguisse ousar e apostar em projetos arriscados.
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