Teste Fiat Fastback Abarth 2026: quem disse que quero ser normal?
Entre a vida adulta e a curtição, será esta uma boa opção?
Não tenho como olhar pro Fiat Fastback Abarth e não pensar em um carro modificado. Isso não é negativo, afinal quem quer visual de versão normal, compra um Limited 1.3 turbo ou qualquer outra do catálogo com o 1.0 turbo. Rodas de 18", apliques pintados na cor do carro, detalhes em preto brilhante e o escape em tom mais presente com dupla saída mostram que este Fastback não é normal.
Reestilizado, o Fastback Abarth volta com novidades, como os novos bancos mais esportivos e um teto panorâmico, pedidos antigos dos clientes. Será ele a solução para a vida adulta cheia de responsabilidades sem perder o gosto de um carro diferente, com toque esportivo e que as pessoas olharão nas ruas, sem gastar em marcas premium?
O lado responsável
O Fiat Fastback se apoia no estilo cupê para se diferenciar do Pulse e conquistar um cliente diferente. Confesso que ainda acho que a dianteira não conversa com a traseira, mas a reestilização caiu bem com as leves mudanças no para-choque dianteiro e a nova grade, que trocou o escorpião pelo escrito Abarth nesta versão. Os apliques laterais têm a cor do carro e cobrem as rodas de 18" com tala 7,5" (já maior que a das versões normais, de 7") que vestem pneus 215/45.
Pelo design, passa uma sensação de ser um carro mais caro, apesar de ainda ser um carro de base de entrada e limitada, como o espaço interno mais acanhado pelos 2.530 mm de entre-eixos em comprimento de 4.439 mm - o balanço traseiro é consideravelmente maior que o dianteiro, o que é estranho. Em compensação, temos um porta-malas de 516 litros, herança de uma base de sedã.
O porém fica para os equipamentos, principalmente de segurança. Estamos em um carro de R$ 177.990, o que já pede alguns itens como piloto automático adaptativo, assistente de faixas e, já presente em carros bem mais baratos, 6 airbags - aqui, são apenas 4. Tais itens podem ser ausentes pela idade da base do Fastback, derivada do Argo/Cronos, que nem pensaram em ter algo assim lá no passado. Principalmente pela faixa de preço, é uma falha que não tem como deixar passar.
O lado descolado
Não só na roupinha que o Fastback Abarth se diferencia dos demais. Até o começo deste ano, ele tinha a mesma potência de qualquer 1.3 turbo da Stellantis, mas as leis de emissões deixaram os demais com 176 cv, seja gasolina ou etanol, mantendo os 27,5 kgfm. Os Abarth conseguiram segurar os 180/185 cv, mas a ficha técnica nos apresenta uma troca do sistema de injeção: saiu a Vitesco e entrou a BorgWarner, por um melhor controle do sistema por completo.
Sistema que inclui injeção direta, comando variável no escape e admissão com MultiAir, onde as válvulas variam abertura e tempo com atuadores hidráulicos. Em carros nacionais, ainda é um dos motores mais modernos do mercado e já superou a fase de problemas que teve logo no começo. Seu par é um câmbio automático de 6 marchas, tradicional, como aplicado nos demais carros com o 1.3 turbo.
Até aqui, nada demais até essa mudança no 1.3 turbo. Lembra que as rodas são mais largas no Abarth que no restante da linha Fastback? Aqui começa o toque que faz a verdadeira diferença, primeiro pela base de tudo, com rodas específicas para melhorar a estabilidade com os pneus 215/45. Pegue molas e amortecedores e aplique cargas até 21% maiores que nas versões normais, além de 5 mm a menos de altura.
Não foi suficiente? A barra estabilizadora dianteira vai a 20 mm, assim como o eixo traseiro é próprio, cerca de 15% mais rígido na transferência de um lado pro outro. Até o alinhamento do carro é específico para ser mais estável e responsivo, tanto pela direção elétrica quanto pelos vetorizadores de torque e controles de tração e estabilidade.
Comprou Abarth? Terás Abarth!
Pra começar, o Fastback Abarth é um dos poucos carros nacionais que tem um ronco de escape diferenciado. Menos preocupado se vai causar nas ruas, ronca grosso e marca presença tanto na partida quanto nas ruas. Afunde o pé e ele te entrega turbo espirrando e pipocos nas trocas de marchas e desacelerações. Vira quase um vicio provocá-lo para ter essas respostas, cada vez mais apagadas nos novos carros.
No uso normal, você vai sentir que ele é mais firme que os demais Fastback, mas não chega a ser desconfortável, além de manter uma boa altura do solo para a aventura urbana lotada de valetas e lombadas. Só que o câmbio insiste em fazer reduções exageradas, que não existem em um Fastback 1.3 Limited, como se tivesse o tempo todo querendo apostar uma corrida. Não raras vezes que reduz e, logo em seguida, se arrepende e volta a marcha alta que estava.
Isso incomoda um pouco, com respostas ariscas onde não precisa. O 1.3 turbo responderia bem sem isso, já que parte do torque aparece em baixa rotação. É legal nos primeiros dias, mas depois começa a ser chato. Ao menos o consumo com gasolina é bom, registrando 11 km/litro na cidade e 16 km/litro na estrada seguindo o nosso padrão de teste.
Mas o jeito moleque do Fastback Abarth fala alto quando o assunto é acelerar. No volante, o modo Poison atua nas respostas do motor, acelerador e transmissão. Na hora, a marcha-lenta sobe um pouco, os mostradores do painel com tela de 7" mudam e dá para perceber que o acelerador está respondendo a qualquer toque.
Primeiro, tem controle de largada que o levou aos 100 km/h em 8,2 segundos (com gasolina), um bom número. A frente levanta um pouco, mas é perceptível quanto é mais na mão que os demais Fastback. As trocas de marchas ficam mais rápidas, apesar de ainda ser um câmbio automático com concepção antiga, e o SUV ganha velocidade. Tem bom chão em velocidades mais altas, mas destraciona a roda externa de curvas mais fechadas. Os vetorizadores de torque trabalham bem, mas a frente ainda escorrega quando mais provocado.
Tem bastante potência e acaba brigando para passar isso ao chão em alguns momentos. Os controles estão mais permissivos no modo Poison, mas o Fastback não assusta mesmo com esse balanço traseiro avantajado, e os freios estão bem mesmo depois de provocados, com um pedal bem sensível que pede até certo costume tanto na pista quanto na rua, no dia a dia. O polêmico freio traseiro a tambor? Até hoje, não tive sustos com ele.
Normal? Melhor procurar outro carro...
Sim, o Fastback Abarth entrega o que seu visual impõe. É rápido, vem bem nas curvas (apesar de, pessoalmente, preferir uma suspensão pouco mais firme...), mas a Fiat bem que poderia ter aproveitado os novos bancos, que abraçam bem o corpo e tem regulagem elétrica, para baixar a posição de dirigir, ainda alta e muito SUV para um carro com toque esportivo. Quem quer andar mais alto, sobe o ajuste por um botão.
Bom como esportivo, mas poderia olhar que carros neste preço já estão mais completos e não é um teto panorâmico que vai substituir 6 airbags ou um pacote ADAS mais atuante, indo além do alerta de colisão com frenagem automática, alerta de saída de faixas e alerta de ponto-cego. É um dos poucos pênaltis que vejo neste projeto, que leva a turma dos 35+ para os bons tempos de diversão, não apenas as responsabilidades.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Fiat Fastback 1.3T Abarth
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