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Honda Hornet 750 e Transalp: primeira dupla impressão

Veja como anda a nova dupla de 750 cilindradas da marca, que compartilham o motor, mas têm almas completamente diferentes

Honda Hornet 750 e Transalp 2026
Foto de: Honda

A Honda revelou sua nova dupla de motos 750 no final de 2025. Transalp e Hornet completam a escadinha da família de média e alta cilindrada da marca nas duas categorias que os brasileiros mais gostam: naked e aventureira. Na primeira linha, temos Hornet 500, Hornet 750 e Hornet 1000, essa sim de 4 cilindros e que chega em breve. Na segunda, temos NX 500, Transalp e a Africa Twin.

A Honda convidou o Motor1.com Brasil para um dos destinos mais conhecidos dos motociclistas que gostam de pegar uma estrada: a Serra do Rio do Rastro, na serra catarinense. A Honda Transalp foi por um caminho e Hornet por outro, mas cada uma mostrou a que veio e, principalmente, que de compartilhado mesmo, só o motor biciclíndrico paralelo de 755 cm3  com 69,3 cv e 7,04 kgfm.

Galeria: Primeiras impressões Honda XL 750 Transalp 2026

Honda XL 750 Transalp

  • Preço: R$ 65.545 sem frete
  • Diferenciais: rodas raiadas, de 21" na frente, e suspensões de longo curso
  • Compre se: vai sair do asfalto e precisa de uma aventureira capaz
  • Não compre se: precisa de uma moto baixa e gosta de personalidade forte

Se tem uma moto que caiu como uma luva para um dia infeliz meteorologicamente falando, foi a Transalp. Num incomum meio de janeiro, os arredores da serra catarinense foram tomadas por chuva constante e temperaturas que não passaram de 26 graus. O dia previa percurso de terra, eu não previ a chuva e nem levei capa.

O resultado foi um dia molhado e frio em estradas de terra que viraram uma argila lisa. Se tinha uma moto mais correta pra enfrentar essa condição do que a Transalp, não conheço. A Honda não costuma fazer motos fortes em personalidade, mas uma moto tranquila na mão é o que te deixa em pé nas situações mais adversas.

O trecho de terra foi feito no modo Gravel, um dos 4 pré-programados da Transalp. Ele alivia atuação do ABS e do controle de tração, mas não os corta totalmente, e foi a medida certa para encarar trechos íngrimes e sinuosos. Rodas de 21" com pneus relativamente finos não são enfeite, servem para cravar a moto na pouca aderência que o terreno tinha. Não vou mentir, a suspensão é um tanto firme para a buraqueira, mas o longo curso te dá segurança para não ter que desviar de obstáculos, ela só passa por cima e continua o caminho.

O trecho de asfalto mostrou uma característica do motor bicilíndrico que é muito diferente do sentido na Hornet: você sente a entrega de potência de forma mais marcada, especialmente aos 4.000 e 6.000 rpm, onde a onda de torque aparece. Pilotada aqui no modo Standard, o acelerador da Transalp fica um pouco desconectado, você precisa acelerar mais do que está imaginando, e o modo Sport não ajuda muito nisso.

A "culpa" aqui é do  acelerador eletrônico. Mas um acelerador menos responsivo é o preço a se pagar para ter uma moto que pode ter controle de tração e os modos de condução atuam até na resposta do freio motor. E é nesse ponto que eu quero falar dos 69,3 cv de potência, quase 20 cv a menos que na Europa. Também torci o nariz para o número, mas andando na Honda Transalp, recomendo que vocês façam o mesmo antes de reclamar: andem na moto. Ela entrega claramente mais que a linha 500, mas ainda de uma forma que você controla facilmente, não pede a parcimônia e a experiência no trato com uma Africa Twin.

Comparando rapidamente com rivais similares, a Yamaha Ténéré 700 anda mais, mas entrega menos itens de série especialmente na parte eletrônica e modos de condução e é mais cara. A BMW F 800 GS é mais próxima e entrega um pouco mais de desempenho, mas com rodas de liga leve, não tem o mesmo preparo para sair do asfalto. Mais uma vez, a Honda optou pelo caminho do meio com a Transalp e, com uma rede tão grande quanto a da marca, a aventureira não deve passar despercebida.

Veja aqui a ficha técnica completa e os itens de série da Honda Transalp

 

Galeria: Primeiras impressões Honda CB 750 Hornet

Honda CB 750 Hornet

  • Preço: R$ 53.694 sem frete
  • Diferenciais: 3 modos de condução + 2 personalizáveis, agilidade, diversão
  • Compre se: você está procurando uma esportiva divertida mas usável no dia a dia
  • Não compre se: você é viciado em adrenalina

Se o trajeto da Transalp foi um terror, a suma de "moto certa na pior situação", o dia com a Honda CB 750 Hornet parecia ter sido previamente combinado com alguma entidade superior. Sol, curvas da SC-110 e muita pista livre para abrir o acelerador da esportiva.

Aqui vou abordar diretamente a "falta de potência" na comparação com a moto europeia. O recado é o mesmo: andem na moto. Ainda com a memória da Hornet 500 na memória, posso dizer com a consciência limpa que a 750 anda mais do que você está esperando. Logo no começo no teste, reduzi marcha e dei mão para fazer uma ultrapassagem. Esperei algo um pouco melhor que a 500, recebi um susto e tive que me segurar para não ser jogado para trás. 

Ao contrário da Transalp, a Hornet 750 tem uma entrega mais linear de potência e um ronco mais encorpado a partir de 5.000 rpm. Isso deixa a condução dessa naked intermediária da Honda muito mais divertida do que os números de potência e torque sugerem. A alavanca de embreagem é tão leve quanto o de uma CG 160 e seu assento é 4 dedos mais alto que o de uma Pop 110i (esse foi o termo técnico fornecido pela Honda). 

Ou seja, a Honda Hornet 750 diverte muito e é fácil de pilotar. Montado nela, parece mais a Hornet 500 do que uma CB 1000R de tão compacta. Mas o tamanho reduzido esconde uma moto muito ágil e que vai dar trabalho para rivais como a Yamaha MT-07. Não à toa a Hornet 750 é considerada quase como uma "commuter bike" na Europa, moto usada para ir e voltar do trabalho: diverte e dá para usar todos os dias. Receita difícil de acertar.

Veja aqui a ficha técnica completa e os itens de série da Honda CB 750 Hornet

 

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